quinta-feira, 27 de agosto de 2026

SEVERINO DUARTE DA COSTA, O POPULAR BIU DUARTE - Biografia

 Cujo objetivo é o resgate e a preservação da memória do nosso município.

 

 PERSONAGEM DE HOJE: Severino Duarte da Costa

        No dia 25 de junho de 2026, se ainda estivesse vivo, Severino Duarte da Costa, o popular Biu Duarte, estaria completando 78 anos de idade. Este perfil biográfico é justamente para lembrar a pessoa honrosa que ele representou para toda a sociedade queimadense. Em nome de toda a família, gostaria de apresentar:


SEVERINO DUARTE DA COSTA - O POPULAR BIU DUARTE             QUEIMADAS/PB. Por Paulo Seixas

 

- Severino Duarte da Costa, mais conhecido por Biu Duarte, nasceu no município de Queimadas PB, numa comunidade rural chamada Gravatá dos Duarte. Ele veio ao mundo no dia 25 de junho de 1948; 

- Inicialmente, viveu com seus pais até completar a maioridade, em outra comunidade rural chamada Maxixeiro, também no município de Queimadas, procurando depois seguir o seu próprio caminho;

  - Era filho dos saudosos José Duarte da Costa e Maria das Neves Amaral Costa. O seu pai era um fazendeiro, fabricava queijos para vender. Foi, inclusive, vereador em Queimadas por dois mandatos. A sua mãe era dona de casa, cuidava da família e do lar. Pessoas que levavam uma vida relativamente simples como camponeses;

 - Seu Biu Duarte nasceu em uma família de muitos irmãos, nove no total, sendo dois adotivos; 

 - Seu Biu Duarte teve uma infância normal como qualquer criança da zona rural. Sobre a sua escolaridade, ele foi alfabetizado, porém, estudou pouco, somente até o 5º ano fundamental. Ainda criança já demonstrava interesse pelo trabalho. Conta-se que ele, aos quatro anos de idade, já acompanhava o pai no lombo de um jumento. Ia buscar leite longe, do sítio Malhada Grande pra dentro;

- Ao atingir maioridade, Seu Biu Duarte migrou para Minas Gerais, onde montou uma desnatadeira com um primo seu, na cidade de Teófilo Otoni. Trabalhou apenas um ano e resolveu voltar para a Paraíba;

 - Entre os seus 19 até os 23 anos de idade, Seu Biu Duarte adquiriu alguma experiência de vida, vivendo durante algum tempo sozinho, trabalhando no que aparecia. Sabia comprar e vender bem, sempre lhe rendendo algum dinheiro de lucro;

 - Foi durante essa época que ele decidiu, então, ir tentar a sorte em Pernambuco, onde viveu por quatro anos em uma comunidade chamada Três Carneiros, área de subúrbio importante da grande Recife. Segundo os familiares, ele ganhou bastante dinheiro nessa época. Porém, mais uma vez decidiu voltar para a Paraíba;

 - Seu Biu Duarte contraiu núpcias aos 23 anos de idade com Neurivalda Diniz, em 30 de abril de 1972, na igreja matriz de Queimadas PB. Dessa união nasceram os seguintes filhos: Severino do Ramo (Raminho, filho especial, mais conhecido por João), Rogério, Socorro, Jerônimo e Duartinho;

 - Inicialmente viveram na zona rural de Queimadas, e somente a partir da década de 1980 vieram morar na cidade. De início, na Vila, depois foram para o Centro, após adquirir o imóvel de esquina com a rua Eunice Ribeiro, que pertenceu à Dona Alice Doceira;

- Antes disso, Seu Biu Duarte já havia comprado de Seu Ivandro Rodrigues o outro ponto de esquina, que fica do outro lado da rua, e onde inicialmente funcionou uma lanchonete. Com o tempo, Seu Biu Duarte modificou tudo, substituindo a antiga pensão de Dona Alice por um prédio moderno, e onde funcionaria por vários anos o Mercadinho Estrela;

 - Seu Biu Duarte tinha uma visão de futuro, e sabia investir onde outros não tinham o mesmo ponto de vista. Adquiriu imóveis, sendo alguns deles pontos comerciais centrais e que, com o passar do tempo, valorizaram, multiplicando o capital investido; 

"Foram décadas de negócios,

 A família trabalhando duro.

Seu Biu Duarte era perspicaz

E soube construir um futuro.

Aos filhos, deixou de herança

O trabalho, a fé e a confiança,

Sendo o caminho mais seguro."

(Trecho do cordel - Biu Duarte, uma história de trabalho, de fé e dedicação)

- Em tempo, é importante lembrar que, ao lado de todo grande homem, sempre existe uma grande mulher. E a sua esposa, Dona Neurivalda, mais conhecida por todos como Neuri, esteve presente nos momentos mais importantes da vida de Seu Biu Duarte; 

- Também é importante frisar que, apesar da falta de estudos, Seu Biu Duarte desenvolveu uma experiência de vida que compensava qualquer falta de instrução acadêmica. Uma vez que não se aprende só com livros, mas com a observação das coisas que acontecem ao nosso redor. É o chamado conhecimento empírico, tema bastante difundido em universidades. Basta ser curioso, dispertar sempre a atenção. Nisso Seu Biu Duarte fez faculdade, pois não trocava sua capacidade por qualquer diploma; 

- Dentre algumas curiosidades e gostos relativos a Seu Biu Duarte, ele tocava violão e gostava de realizar cultos aos domingos para adorar ao Senhor. Pessoa simples, sem luxo ou vaidades, ele gostava de algumas comidas do tipo, cuscuz com açúcar e coalhada com fubá de milho. Pra ele, isso era comida de verdade; 

- Os últimos dias de Seu Biu Duarte não foram tristes. Pelo contrário, deixaram-no mais falante e mais pensativo. Em nenhum momento se fechou ou se entregou. Era bem consciente naquilo que falava; 

- Severino Duarte da Costa, mais conhecido por Biu Duarte, faleceu no dia 03 de novembro de 2016, acometido por problemas de saúde decorridos de um osteossarcoma. E, como foi dito no início deste perfil, se ainda estivesse vivo, estaria completando 78 anos de idade no dia 25 de junho de 2026.

 ABRINDO ESPAÇO PARA O APRESENTADOR DESTE PERFIL:

- Dentre as lembranças que guardo de Seu Biu Duarte, lembro que ele era uma pessoa simpática, porém fala pouco. Estava sempre com um sorriso no canto da boca. Com frequência, ele comprava alguma coisa no comércio de meu pai para revender. Normalmente, sacas de feijão ou de açúcar, café, Vitamilho, pacotes de cigarros, entre outros itens. E muitas das vezes eu ia entregar num carrinho de mão. Refiro-me aqui às décadas de 1980 a 1990, ainda quando Seu Biu Duarte morava na casa da Vila. Entregas maiores meu pai levava de carro.

E, finalmente, para justificar a apresentação deste perfil biográfico...

- Eu, Paulo Seixas, em nome do nosso Instituto Histórico e Geográfico de Queimadas (IHGQ), alegro-me ao prestar, através deste perfil biográfico, esta honrada e merecida homenagem ao grande homem que foi Severino Duarte da Costa, mais conhecido por Biu Duarte, um grande exemplo de cidadão queimadense.

  


                              Fontes de pesquisa e fotografias:                          

A maior parte do material aqui apresentado foi extraída de uma entrevista a mim concedida por dona Neuri, com informações precisas acerca do perfil biográfico de seu falecido esposo, Biu Duarte. As fotografias aqui apresentadas fazem parte do acervo da família de Severino Duarte da Costa.

 

 

 

 



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

SONETO PAÍS DAS SAFADEZAS

 SONETO PAÍS DAS SAFADEZAS


Nas cidades brasileiras

O que se vê é corrupção,

Político corrupto, ladrão

E toda essa bandalheira.

 

Se rouba na rua, na feira,

Na padaria e no sacolão.

Basta surgir uma ocasião

Pra cometer tal besteira.

 

O Brasil jamais terá jeito,

Rouba vereador e prefeito,

Deputado e até presidente.

 

Está na cultura, no preceito,

A desonestidade é o efeito,

Tá no sangue de sua gente.                             

                             

                      Paulo Seixas, junho/2026

quarta-feira, 22 de julho de 2026

SEU ANTÔNIO - O ENTREGADOR DE AÇO - Cordel

 O ENTREGADOR DE AÇO


Foi na falta do que fazer

Que ontem me pus a lembrar

De um “peão” bom pra valer,

E a sua história eu vou contar.

Trata-se assim, de um “coroa”,

Um sujeito muito gente boa

Que não tem medo de ralar.

 

Nunca aqui, na Água Pura,

Houve um caso parecido.

Um exemplo de bravura,

De um homem destemido.

Ele tem mais de “quarenta”,

E esse “véi” ainda aguenta

Encarar tamanho suicídio.

 

Vai gostar de trabalhar assim

Lá pras bandas da “Baixada”.

Encarar esse serviço ruim

E nunca reclamar de nada,

Faz jus a qualquer elogio.

Entregador assim, no Rio,

Merece um patrão camarada.

 

            Para encarar essa jornada

            E ainda morar tão longe,

            É preciso ter fé na parada

            E uma paciência de monge.

            Preguiça com ele não tem vez,

            Só de pensar na entrega do mês

            Tem “neguim” que até se esconde.

 

Todo dia, podem acreditar,

Antes mesmo de o sol nascer

Ele já começa a se preparar,

E nunca lhe falta o que fazer.

Arruma-se, apronta a marmita,

Escova o dente lá na “bica”

E numa prece se põe a dizer:

 

            - Senhor, muito obrigado

            Por mais este dia de ação.

            À noite, mesmo cansado,

            Vou fazer uma nova oração:

           “Nossa Senhora da Caixinha,

            Me aproxime das velhinhas,

            Mas só as de bom coração!”

 

E corre para pegar o trem

Lá pelas quatro da manhã.

Não espera por mais ninguém,

“Voa” que nem avião da TAM.

Antes, toma um café com “broa”,

Dá um beijinho na “patroa”,

Aquela que é sua maior fã.

 

E quando o galo vem cantar

Esse “véio” já está a caminho.

Sem ter com quem conversar,

Por vezes, ele viaja sozinho.

E, finalmente, chega à Central.

Pegando um ônibus da Real,

Já com dois sacos de lanchinho.

 

E às seis horas, sempre fiel,

Ele chega em Copacabana.

Atravessa a Princesa Isabel,

No boteco toma uma “cana”.

E se prepara pra mais um dia,

Sempre cheio de gás e correria

Para levantar aquela grana.

 

            Mas aí começa uma espera

            Da qual ele não pode fugir:

            Fica na porta de sentinela,

            Esperando o Mazinho abrir.

            E o tempo vai se passando,

            Os outros “peão” chegando,

            Uns a chorar, outros a sorrir...

 

Esse é o “Antônio Virgulino”,

Um descendente de Lampião,

Caboclo, forte, desde menino

Lá pelas quebradas do Sertão.

Um paraibano macho e valente

Que faz inveja a muita gente,

Por sua garra e determinação.

 

            Quando criança não pôde estudar,

            Mas, felizmente, aprendeu a ler.

            Nas entregas sabe se “virar”,

            Nome de rua dá pra entender.

            Porém, se vê algo diferente,

            Ele vem, pergunta pra gente;

            Um segundo não pode perder.

 

Ele até já deixou de almoçar

Por uma entrega lá no Leblon.

Como crente que vive a pregar,

Para ele tudo sempre está bom.

Carreto recusado pela gente,

Para ele é como um presente;

Seu “Toin” nunca perde o tom!

 

E se alguém se descuidar,

Ele passa à frente na moral.

Fura a fila sem se desculpar,

Sempre na maior cara de pau.

Seu Antônio é mesmo um barato,

Com aquele seu bigode de rato

E com aquela cara de mau.

 

Encara um caminhão carregado

Como se estivesse brincando.

É forte como um boi de arado

E tem disposição até sobrando.

Para acompanhar esse coroa

Tem que ter a saúde muito boa,

Ou alguém vai sair reclamando...

 

            Seria um desespero profundo

            Pra qualquer outro entregador,

            Enfrentar esse serviço “imundo”

            Por tão mísero e pequeno valor.

            Como diz aquele velho ditado:

            Nem sovaco de um aleijado

            Consegue ser tão sofredor.

 

Contudo, Seu Toin é trabalhador,

Um vencedor por sua natureza.

Defeitos à parte, um batalhador,

E mora longe que é uma tristeza.

Porém, não reclama, seja como for.

Pega ônibus, trem, carroça, até trator

Vindo feliz enfrentar essa dureza.

 

            Embora a fama de olho grande

            Lhe incomode um pouquinho,

            Ele nem sempre é um muquirana,

            E tampouco um cara mesquinho.

            E essa sua correria desesperada,

            Além de prejuízo, não dá em nada,

            Como puxar o saco de Mazinho.

 

Mas Seu Antônio já aprendeu

Que o bom é ficar na moleza.

Como também já se convenceu

Que é melhor fugir da “brabeza”.

“Carreto” longe, até o diabo teme,

A preferência é ficar pelo Leme,

Tapeando com muita esperteza.

 

Seguro nas finanças, leva sua vida,

Tem casa própria, e até um carrinho.

Gosta de passear, viajar pra Paraíba,

A Terra natal, por quem tem carinho.

Nas entregas, tá sempre na “briga”.

“Mão de vaca”, moderou na barriga,

Poupando no troco do cafezinho.

 

Não que Seu Toin seja um sujeito

Puxa-saco e até metido a brigão.

Ou, talvez, um entregador perfeito,

Desses que sequer quebra garrafão.

Ele é arrojado, tem seu próprio jeito,

Como descarregador tem um defeito:

Só quer ser o dono do caminhão.

 

            O trabalho aqui na Água Pura

            Não é apenas um ofício pesado.

            É como uma espécie de loucura

            Que abala qualquer condenado.

            Para muitos, seria decretar o fim.

            Porém, como se trata de Seu Toin,

            Pra ele é café pequeno e coado.

 

Como um boi que não imagina

E sequer sabe a força que tem,

Seu Antônio segue a sua sina,

Enquanto a saúde lhe mantém.

Que venha a melhora algum dia,

Quando vier sua aposentadoria

E poder descansar muito bem.

 

            Enfim, por aqui vou encerrar,

            Desse testemunho não abro mão.

            Só pra esclarecer, devo lembrar:

            Tudo o que falei foi de coração.

            Estou certo de que, finalmente,

            Encontrei um grande oponente

            Que merece minha consideração.   


                                                        RIO, 02/MARÇO/2008  



terça-feira, 7 de julho de 2026

BIOGRAFIA - MIGUEL FRANCISCO FLOR, O POPULAR “TI MIGUÉ”

Cujo objetivo é o resgate e a preservação da memória do nosso município.

MIGUEL FRANCISCO FLOR, O POPULAR “TI MIGUÉ” - 

por Paulo Seixas

PERSONAGEM DE HOJE: Miguel Francisco Flor

No próximo dia 10 de julho de 2026, se ainda estivesse vivo, Miguel Francisco Flor, ou melhor, “Ti Migué” estaria completando 116 anos de idade. Este perfil biográfico é justamente para lembrar a pessoa honrosa que ele representou para toda a sociedade queimadense. Miguel Chico, ou simplesmente, “Ti Migué”, foi um homem honrado.


MIGUEL FRANCISCO FLOR - O POPULAR  “TI MIGUÉ”          QUEIMADAS/PB. Por Paulo Seixas

- Miguel Francisco Flor - mais conhecido por “Ti Migué”, como era carinhosamente chamado (até porque ele tinha muitos sobrinhos espalhados pelo lugar) -, nasceu e viveu toda a sua vida na cidade de Queimadas PB. Veio ao mundo no dia 10 de julho de 1910;

 - Inicialmente, viveu com seus pais na rua Francisco Ernesto do Rêgo, a Rua Nova. Depois de casado, alguns anos mais tarde, já na década de 1950, mudou-se para a rua Eunice Ribeiro, onde viveu até o final de sua vida;

 - Era filho dos saudosos José Francisco Flor e Lucinda Maria da Conceição. Pessoas simples que, apesar de viverem na cidade, levavam a vida como camponeses;

- Não há nenhuma informação sobre a infância e juventude de Seu Miguel Chico. E nem tampouco sobre a sua escolaridade, seu grau de estudo. Porém, acredita-se que ele só tenha sido alfabetizado e trabalhado na roça durante toda a juventude, durante o tempo em que conviveu em casa, com seus pais e toda a família;

- Nascido em uma família de muitos irmãos, dez no total, alguns deles ficaram bem conhecidos na cidade por viverem do comércio, como: Antônio Chico, João Chico, Vital Francisco, Vicente Chico (este último consertava calçados);

- Nasceram e se criaram na Rua Nova. Precisamente, a casinha de taipa onde cresceram, ficava logo na entrada de uma rua que dava acesso à subida da Pedra do Bico, rua essa que existia até um tempo atrás;

- Viviam da agricultura, do plantio de algodão, mas alguns deles logo despontaram para o comércio. Destacando aqui que eles estiveram entre os primeiros comerciantes do município de Queimadas, onde as pessoas, até mesmo da zona rural, vinham realizar as compras da semana em seus estabelecimentos;

- Em 1950, Seu Miguel comprou um terreno na Rua Eunice Ribeiro, nº 423, o qual vai até o outro lado da rua César Ribeiro (Calçadão Tataguaçu), e construiu sua casa com a mercearia na frente. Há um tempo atrás, após seu falecimento, a casa passou por uma grande reforma, onde Dona Mariquinha, sua segunda esposa, continua morando com a filha caçula;

- Miguel Chico casou inicialmente por volta dos 23 anos, ainda na década de 1930, com Josefa Ferreira Dantas. Desse casamento nasceram os seguintes filhos: José Ferreira Dantas, Maria de Lourdes Dantas, Maria da Guia Dantas, José Maria Dantas, José Nilson Dantas e Maria José Dantas. Quatro deles professores, hoje aposentados. E dois deles comerciantes;

- No ano de 1970 sua primeira esposa faleceu e Ti Migué, em 1976, já com 66 anos, casou novamente com Maria Severina Gomes, mais conhecida por todos como Dona Mariquinha. Desse segundo casamento nasceram os seguintes filhos: Maria Roseane Gomes Flor, Maria Roselita Gomes Flor, Maria Rosilene Gomes Flor e Maria Rosinete Gomes Flor. Tiveram ao todo seis filhos, porém, duas dessas crianças faleceram;

- Trabalhou durante muitos anos na agricultura. Paralelamente a isso, possuía um comercio varejista de gêneros alimentícios, em sua residência, situada à rua Eunice Ribeiro. Uma “bodega” das antigas, a qual ele segurou até o fim de sua vida;

- Além do comércio, ele tinha um roçado no Sítio Capim de Planta, o qual era seu refúgio particular, um lugar aonde ele gostava de ir, sentindo-se bem. Plantava milho, feijão, fava, jerimum, melancia, quiabo, maxixe... Sempre ia na sua bicicleta, de acordo com sua família, até por volta dos seus 82 anos de idade;

 - Porém, sua maior preocupação era com o futuro de seus filhos, em especial, o futuro profissional de cada um. E essa preocupação se tornou ainda maior com a chegada das filhas do seu segundo casamento, uma vez que ele já caminhava para a terceira idade e queria o melhor para todas elas. E assim, seguindo os passos da mãe, que foi professora do ensino fundamental pela prefeitura e pelo Estado, todas quatro se formaram professoras, com diferentes licenciaturas, atuando em seus ofícios até os dias de hoje. Ti Migué certamente morreu realizado nesse ponto;

- Ti Migué era um homem tradicional, das antigas mesmo, e soube criar as suas “filhas mulher” com a mesma educação rígida do passado. Até onde se sabe, detestava modismos e extravagâncias. No que dependesse de sua vontade, ele queria ver todas apenas entre a igreja e a escola. Sem frequentar bailes, passeios noturnos, e até a televisão ele demorou algum tempo para ceder;

- Miguel Francisco Flor, mais conhecido por “Ti Migué” ou mesmo Miguel Chico, faleceu no dia 24 de agosto de 1998, acometido por problemas cardíacos. E, como foi dito no início deste perfil, se ainda estivesse vivo, estaria completando 116 anos de idade no próximo dia 10 de julho de 2026;

- A rua Miguel Francisco Flor, que fica no bairro do Castanho, foi uma homenagem da cidade ao popular Ti Migué. O nome para essa rua foi sancionado no dia 14/03/2012 pelo então prefeito José Carlos de Souza Rêgo, Carlinhos de Tião, a partir do projeto de lei número 310/2012;             

 

ABRINDO ESPAÇO PARA O APRESENTADOR DESTE PERFIL:

- Dentre as lembranças que guardo de Ti Migué, lembro que ele era um senhor muito simpático, vivia sempre com um sorriso no canto da boca. Vez ou outra, ele comprava alguma coisa no comércio de meu pai para revender. Geralmente, uma saca de feijão ou de açúcar, e eu prontamente ia entregar num carrinho de mão. Ele sempre me dava uma gorjeta, embora eu procurasse recusar. Falo aqui das décadas de 1985 a 1995, aproximadamente;

E, finalmente, para justificar a apresentação deste perfil biográfico...

- Eu, Paulo Seixas, em nome do nosso Instituto Histórico e Geográfico de Queimadas (IHGQ), alegro-me ao prestar, através deste perfil, esta honrada e merecida homenagem ao grande homem que foi Miguel Francisco Flor, mais conhecido por Miguel Chico ou Ti Migué, um grande exemplo de cidadão queimadense.


Fontes de pesquisa e fotografias:                      

A maior parte do material aqui apresentado foi extraído do livro do professor Antônio Carlos, referente às ruas de Queimadas, com informações precisas fornecidas por Dona Mariquinha acerca do perfil biográfico de seu falecido esposo. As únicas fotografias aqui apresentadas, uma foi retirada do Blog Tataguaçú do prof. Ezequiel Lopes. A outra, foi gentilmente cedida pelo professor Antônio Carlos.