quarta-feira, 4 de março de 2026

CORDEL - O BARULHO INSANO DE CADA DIA - Ampliado

                                          


Parece até piada o que vou lhes dizer,

Porém, a verdade tem que prevalecer:

VIZINHO RUIM NEM O DIABO QUER TER!


CAMPINA GRANDE/PB, 2021


Não pedirei segredo ao desabafar.

Em versos, posso ser mais incisivo:

Vizinho ruim, que vive a perturbar

Com seu barulho de som abusivo,

Preste atenção no que vou relatar,

Pois não pretendo repetir o aviso:


     Maneire essa barulheira do diabo,

     Seu ignorante, filho de uma puta!

     Tá com o ouvido dentro do rabo,

     Que somente alto é que se escuta? 

     Respeite os vizinhos do seu lado

     Que discordam dessa tua conduta.


Quer se exibir, fique rico pra isso;

Tu és apenas um pobre amostrado!

Canalha, não cumpre compromisso

E nunca paga o que compra fiado.

Na falta de provas, ficarei omisso,

Mas o som do teu carro é roubado...


     Teu carro velho não vale cinco mil,

     Mas o som vale uns dez mil Reais.

     Essa prática infestou todo o Brasil,

     Onde só os veículos são factuais.

     Incoerência como tal nunca se viu,

     Uma verificação revelaria bem mais.


Dentro de casa, as caixas montadas

Fazem qualquer parede estremecer.

Vizinhos que aguentem as porradas,

Antes das 22 horas, bota pra descer.

Saiba que essa lei mudou, camarada,

Tens algumas obrigações a obedecer.


     As tuas festinhas, tuas badernas,

     Regadas só a cachaça e maconha,

     Lembram primitivos das cavernas,

     Ignorantes, em reunião medonha.

     A música difundida é uma merda;

     O homem de bem se envergonha.


És um imoral, tu e teus “parisseiros”,

Gentinha que não respeita ninguém.

Transformam a rua num chiqueiro

Com o lixo sonoro que os entretêm.

Vai pro inferno, porco maloqueiro,

Tu, teus amigos e tudo que convém!


     Desde que comprou essa lata velha

     E instalou esse som no porta malas,

     Que a paz diária aqui nessa “favela”

     É uma coisa que ninguém mais fala.

     Quando como, não desce na goela,

     E ao tentar engolir, a comida entala.


Desaforo deixa qualquer um doente

Nervos retraem, faz o corpo tremer.

Conviver com indivíduos indecentes

É realmente algo pra se arrepender.

Ou se muda para um lugar diferente

Ou vai amargar a escolha de sofrer.


      Quem diabos nunca se incomodou

      Com essa desgraça dita “paredão”,

      Que uma música boa jamais tocou,

      Disseminando lixo para a multidão?

      Foi onde o mau gosto se confirmou,

      Ainda chamam a isso de ostentação.


Não tem coisa pior pra um vizinho,

Morar ao lado de gente barulhenta.

Agindo como se vivessem sozinhos,

Rompendo a paz de forma violenta.

Noutra hora, se mostram bonzinhos,

Porém, no geral é uma raça nojenta.


      Uma vizinhança ruim como a minha

      Eu não desejaria para mais ninguém.

      Gente acéfala, não diria mesquinha,

      Só habituada a “repartir” o que tem:

      Cana, maconha, som e pé de galinha,

      Crendo que estão praticando o bem.


Um vizinho amaldiçoado que abusa

Fazendo barulho até as madrugadas,

Com o aparelho de som nas alturas

Incomodando pessoas civilizadas.

Esta é, sem dúvida, a única cultura

Dessa rua para sempre desprezada.


  Por isso o meu recado, em especial,

      Mesmo que seja de forma indireta,

      Vai pra esse sujeito da cara de pau

      Que mantém sua rotina nada discreta.

      Liga som alto, faz o maior Carnaval:

      A sua falta de bom senso é completa.


Quem não conhece, que te compre,

Projeto sem-vergonha de bandido!

Inimigo do silêncio, a paz corrompe,

Denegrindo, por tabela, meu ouvido.

É quando somente a lei interrompe

As atitudes desse sujeito pervertido.


      A ação da polícia resolve a questão

      De imediato, porém, só no momento.

      Depois recomeça toda a provocação,

      Agora acompanhada de xingamento.

      Os “donos da rua” regem a situação,

      Matam e morrem nesse seu intento.


O que resta ao cidadão acovardado

É nunca bater de frente, isso jamais.

Com essa gentalha, de dúbio passado

E que já não respeita ninguém mais,

Chamar a polícia, só no anonimato,

E torcer pra que tudo acabe em paz. 


      Portanto, eu te direi, seu DJ maldito,

      Tu e essas tuas músicas de puteiro:

      Nelas os teus chifres estão descritos,

      Pois tua mulher te corneia por inteiro.

      Enquanto ela te trai e engana bonito,

      Tu “entorna” com outros cachaceiros.


Todo corno gosta de zoada, é fato,

Isso facilmente se pode demonstrar.

Por isso criaram a moda de som alto,

Que é pra poderem melhor disfarçar.

Chegam em casa, já ligam no asfalto

Pra dar o tempo do urso se mandar.


       Corno bebe pra esquecer problema,

       O som alto é para não ouvir conselho.

       No dia seguinte, só ressaca e dilema,

       Já não consegue olhar-se no espelho.

       Segue essa vida execrável e de pena

       Até que o diabo escute o seu apelo.


O teu som alto, tua cerveja quente,

As tuas músicas ruins de se vomitar,

Só me resulta numa certeza latente:

Tu és um babaca que não tem par!

E só uma coisa me deixa contente:

Quando a polícia vem te silenciar.


      Ou quando alguém cresce o olhar

      E na surdina, tenta roubar teu som.

      Aí eu confesso que poderia festejar,

      Algo que eu acharia pra lá de bom.

      Não tenho nada melhor pra desejar;

      Em gente como ti, não passo batom.


Pois a cada aparelho de som furtado,

Quebrado, fora de circulação ou fodido,

Cada aparelho porventura inutilizado,

Ou cada aparelho de som apreendido, 

É a paz e o silêncio, enfim, confirmados

E mais um vizinho de bem agradecido.


     Até quando essa situação vai durar,

     O que as leis criarão em nosso favor?

     Será possível termos que denunciar,

     Nosso direito ter que sempre se impor?

     Atire a primeira pedra quem discordar,

     Ou vá se juntar aos porcos, caso for. 



Chamam-me de invejoso pelo que digo?

Memorizem essa frase e repitam comigo:

QUEM SENTE INVEJA DE POBRE É MENDIGO!  



Entre em contato comigo:

 

Recanto das Letras:

 http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=164912

 Blog: http://blogliterariopauloseixas.blogspot.com.br/

  Facebook: https://www.facebook.com/paulo.seixas.7

 Instagram: https://www.instagram.com/pauloseixas2022?ighs=MTVkc3UyZjhsdjFzZA==

 E-mail: pauloseixas2012@gmail.com      


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

JOÃO BASTO, UM QUEIMADENSE VISIONÁRIO - Perfil Biográfico




















         
          Algumas observações e correções acerca da publicação:

- Ao longo deste perfil eu menciono o nome de Teresinha Dantas escrito com a letra Z. Somente corrigindo, o seu nome oficial é com S;

 - No início da página 03, na foto tirada na Pedra de Santo Antônio, em Fagundes PB, João Basto é o único de chapéu na foto e parece estar segurando a camisa;

- No início da página 08, corrigindo a legenda, até pra não correr o risco de ambiguidade: "o imóvel vizinho à antiga Decorama (antiga Decorama esta que hoje pertence a Rogerinho Duarte);

- No final da página 09, somente corrigindo a legenda: "...entrando numa padaria da cidade. No mesmo estabelecimento comercial que um dia lhe pertenceu";

-  Na página 17, João Basto encontra-se à beira de um pequeno lago em Brasília e não de uma piscina, como foi dito.


domingo, 25 de janeiro de 2026

CORDEL DESEMPREGADO AOS 40 - DO PESSOAL PARA A POESIA - ampliado


 

QUEIMADAS PB, MAIO/2019

 

Na ociosidade em que eu vivo

Há muito tempo sem trabalhar,

Sem ter uma rotina, um emprego

No qual eu possa me ocupar,

Pergunto-me: O que faço aqui?

Muitas coisas me fazem refletir

Sobre a vida que vivo a levar.

 

          Uma vida vazia, sem objetivos,

          Sem algo que faça a diferença.

          Onde nada faço, nado construo,

          Apenas uma cabeça que pensa.

          Mas, como diz o meu velho pai,

          “Todo penso é torto”, e logo vai

          Aumentando minha descrença.

 

Sempre pela manhã, ao acordar

Vou consultar a minha agenda.

Sem nada pra fazer, o dia inteiro,

Uma despreocupação tremenda.

Limpo um quintal, varro calçada,

Não fico à toa, sem fazer nada,

Embora isso não resulte renda.

 

          “Mente vazia é oficina do diabo”,

          Já diz um antigo ditado popular.

          Na falta de um emprego formal,

          Coloco a mente para funcionar.

          Faço “bicos”, escrevo poemas,

          Não resolve meus problemas,

          Mas ajuda o tempo a passar.

 

Muitos “amigos” até se afastam,

E em conversas de pé de muro

Começam a me malhar e difamar:

- Aquilo é um zé ruela, sem futuro!

Um bom amigo, pra muita gente

É o que traz o dinheiro na frente,

Fazendo outro se sentir seguro.

 

          Amizade sem qualquer interesse,

          Conservo algumas no coração.

          Que pensam no meu bem estar,

          Independente da minha condição.

          Referente à minha conta bancária,

          Essa continua sempre precária,

          Difícil de apresentar uma solução.

 

“Não tenho onde cair vivo”, seria

A forma correta de me expressar.

Desempregado, e sem dinheiro,

Dívida jamais poderia comportar.

Meu nome, há de continuar limpo,

Pois, cada dia mais eu pressinto

De que alguma coisa vai mudar.

 

          Do jeito que está, nunca poderei

          Algum dia nesta vida conseguir,

          Uma independência financeira,

          Algum patrimônio vir a adquirir.

          Não adianta só conhecimento,

          Tem que suar, “cair pra dentro”,

          Fazer acontecer, e repercutir.

 

De que adianta ter formações

Em nível técnico e até superior,

Se eu não consigo um trabalho

Em qualquer uma área que for?

Ainda sou “pau para toda obra”,

Apesar de que a saúde cobra,

Uma coluna que me causa dor.

 

          Tem gente que só fica esperando

          Alguma coisa acontecer e mudar.

          Mesmo a chuva que cai é preciso

          Ter um reservatório para guardar.

          Igual ao trigo que, para se colher,

          É necessário arar a terra e saber

          Que existe hora certa de semear.

 

Não são metáforas ou analogias

Que vão resolver o meu problema.

O fato é que o sistema trabalhista,

Em nível de Brasil, virou esquema.

Empresário explora, não é amador,

Empregado pra ele não tem valor,

Será sempre esse mesmo sistema.

 

          Não procuro cobrar do meu país,

          Inclusive, dos nossos governantes

          Pela crise que assola este Brasil,

          Onde o desemprego é constante.

          Nessa minha vida de comodismo,

          Falta-me certo empreendedorismo

          Que já tive num passado distante.

 

Pois me deixei levar pelo tempo

E brinquei mais do que eu devia.

Nos trabalhos por onde passei

Sempre lutei pela “mais valia”.

Patrão de mim, jamais gostou,

E assim, a minha vida passou,

Ficando a experiência em dia.

 

          Quanto mais conhecer direitos,

          Suas prerrogativas trabalhistas,

          É que o trabalhador brasileiro

          Descobre quanto há injustiças.

          Nem sempre carteira assinada

          Significa cumprir uma jornada;

          Fica mais simples ser diarista.

 

Salário reduzido e até mal pago,

Embora o trabalho seja integral.

Onde muitos entram na empresa

Já pensando em “colocar no pau”.

Por isso, continuo desempregado,

Mas não hei de ficar desesperado;

Pior do que está não fica, afinal.

 

          “Empregado, nem pra comer doce”,

          É mais um antigo ditado popular.

          Seja formal ou da informalidade,

          Trabalhador tem que se desdobrar.

          Pois todo empregador ou patrão,

          Só quer do funcionário dedicação,

          Não adianta portanto, vir bajular.

 

Com um bom histórico na carteira,

O bom profissional sempre rende.

Mas, após os quarenta, fica difícil,

Nenhum empregador compreende.

Problema igual que o jovem retrata,

Sem experiência, não se contrata;

E sem ter chance, nunca aprende.

 

          Essa é uma realidade incoerente,

          Sempre foi assim, não vai mudar.

          Requerer experiência dos jovens

          É ver a ordem das coisas se alterar.

          Viemos nessa vida para aprender,

          Ninguém nasce pronto a se saber,

          Sem antes ao menos, poder errar.

 

No Brasil é difícil ter esperanças.

Podemos esperar uma melhora?

O mais difícil é imaginar um país

Onde a própria lei não corrobora.

Complicado, isso tem que mudar.

O ideal seria a base transformar,

Investir na Educação, na Escola.

 

          O brasileiro já vive acostumado

          A aceitar tudo, sem nada a dizer.

          Poucos conhecem seus direitos,

          Na vida, no trabalho, até no lazer.

          E o desemprego é barra-pesada,

          Falta mão de obra especializada,

          Aquela onde é preciso conhecer.

 

Para se combater o desemprego,

Tem que investir em capacitação.

No Brasil, é a mão de obra barata

E o subemprego que vira opção.

Uma juventude que não estuda,

Ao buscar emprego, não se iluda,

O que vai conseguir é ser “peão”.

 

          Cada qual que resolva sua vida.

          Eu, por minha vez, me garanto.

          Consigo atuar em várias áreas,

          Ou trabalhar em qualquer canto.

          Não sou exigente, sou factual.

          Já que não sou um intelectual,

          Vou me virando, por enquanto.

 

A vida de um homem é trabalhar,

Ou encara esse fato ou desiste.

Viver como mendigo, vagabundo,

É uma vida realmente muito triste.

Diz o ditado, “O trabalho enobrece”,

Mas também adoece, enlouquece...

Nesse mundo onde de tudo existe.

 

          Sem ter um compromisso na vida,

          Um homem nunca há de avançar.

          Só uma preocupação, uma dívida

          E até uma mulher pra lhe chatear

          É que transforma o seu destino.

          Nunca vai passar de um menino

         Se não tiver com que se ocupar.