segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O BARULHO INSANO DE CADA DIA - RECADINHO PARA UM VIZINHO FILHA DA P...

                   

Não pedirei segredo ao desabafar.

Em versos, posso ser mais incisivo:

Vizinho ruim, que vive a perturbar

Com seu barulho de som abusivo,

Preste atenção no que vou relatar,

Pois não pretendo repetir o aviso:

 

Maneire essa barulheira do diabo,

Seu ignorante, filho de uma puta!

Tá com o ouvido dentro do rabo,

Que somente alto é que se escuta?

Respeite os vizinhos do seu lado

Que discordam dessa tua conduta.

 

Quer se exibir, fique rico pra isso;

Tu és apenas um pobre amostrado!

Canalha, não cumpre compromisso

E nunca paga o que compra fiado.

Na falta de provas, ficarei omisso,

Mas o som do teu carro é roubado...

 

Teu carro velho não vale cinco mil,

Mas o som vale uns dez mil Reais.

Essa prática infestou todo o Brasil,

Onde só os veículos são factuais.

Incoerência como tal nunca se viu,

Uma verificação revela muito mais.

 

Dentro de casa, as caixas montadas

Fazem qualquer parede estremecer.

Vizinhos que aguentem as porradas,

Antes das 22 horas, bota pra descer.

Saiba que essa lei mudou, camarada,

Tens algumas obrigações a obedecer.

 

As tuas festinhas, tuas badernas

Regadas só à cachaça e maconha,

Lembram primitivos das cavernas,

Ignorantes, em reunião medonha.

A música difundida é uma merda;

Homem de bem até se envergonha.

 

Seu imoral, tu e teus “parisseiros”,

Gentinha que não respeita ninguém.

Transformam a rua num chiqueiro

Com o lixo sonoro que os entretêm.

Vai pro inferno, porco maloqueiro,

Tu, teus amigos e tudo que convém!

 

Desde que comprou essa lata velha

E instalou esse som no porta malas,

Que a paz diária aqui nessa “favela”

É uma coisa que ninguém mais fala.

Quando como, não desce na goela,

E ao tentar engolir, a comida entala.

 

Desaforo deixa qualquer um doente

Nervos retraem, faz o corpo tremer.

Conviver com indivíduos indecentes

É realmente algo pra se arrepender.

Ou se muda para um lugar diferente

Ou vai amargar a escolha de sofrer.

 

Quem diabos nunca se incomodou

Com essa desgraça dita “paredão”,

Que uma música boa jamais tocou,

Disseminando lixo para a multidão?

Foi onde o mau gosto se confirmou,

E ainda chamam isso de ostentação.

 

Não tem coisa pior pra um vizinho,

Morar ao lado de gente barulhenta.

Agindo como se vivessem sozinhos,

Rompendo a paz de forma violenta.

Noutra hora, se mostram bonzinhos,

Porém, no geral é uma raça nojenta.

 

E vizinhança ruim como a minha

Não desejaria para mais ninguém.

Gente acéfala, nunca mesquinha,

Habituada a “repartir” só o que tem:

Cana, maconha, som, pé de galinha...

Crendo que estão praticando o bem.

 

Um vizinho amaldiçoado que abusa

Fazendo barulho até as madrugadas,

Com o aparelho de som nas alturas

Incomodando pessoas civilizadas.

Esta é, sem dúvida, a única cultura

Dessa rua para sempre desprezada.

 

Por isso o meu recado, em especial,

Mesmo que seja de forma indireta,

Vai pra esse sujeito da cara de pau

Que mantem sua rotina nada discreta.

Liga som alto, faz o maior Carnaval:

A sua falta de bom senso é completa.

 

Quem não conhece, que te compre

Projeto sem-vergonha de bandido!

Inimigo do silêncio, a paz corrompe,

Denegrindo, por tabela, meu ouvido.

É quando somente a lei interrompe

As atitudes desse sujeito pervertido.

 

A ação da polícia resolve a questão

De imediato, porém só no momento.

Depois recomeça toda a provocação,

Agora acompanhada de xingamento.

Os “donos da rua” regem a situação,

Matam e morrem nesse seu intento.

 

O que resta ao cidadão acovardado

É nunca bater de frente, isso jamais.

Com essa gentalha, de dúbio passado

E que já não respeita ninguém mais,

Chamar a polícia, só no anonimato,

E torcer pra que tudo acabe em paz.

 

Portanto, eu te direi, seu DJ maldito,

Tu e essas tuas músicas de puteiro:

Nelas os teus chifres estão descritos,

Pois tua mulher te corneia por inteiro.

Enquanto ela te trai e engana bonito,

Tu entorna com outros cachaceiros.

 

Todo corno gosta de zoada, é fato,

Isso facilmente se pode demonstrar.

Por isso criaram a moda de som alto,

Que é pra poderem melhor disfarçar.

Chegam em casa, já ligam no asfalto

Pra dar o tempo do urso se mandar.

 

Corno bebe pra esquecer problema,

O som alto é pra não ouvir conselho.

No dia seguinte, só ressaca e dilema,

Já não consegue se olhar no espelho.

Segue essa vida execrável e de pena

Até que o diabo escute o seu apelo.

 

O teu som alto, tua cerveja quente,

Tuas músicas ruins de se vomitar,

Só me resulta numa certeza latente:

Tu és um babaca que não tem par!

E só uma coisa me deixa contente:

Quando a polícia vem te silenciar.

 

Ou quando alguém cresce o olhar

E na surdina, tenta roubar teu som.

Aí eu confesso que poderia festejar,

Algo que eu acharia pra lá de bom.

Não tenho nada melhor pra desejar;

Em gente como ti, não passo batom.

 

Pois cada aparelho de som vendido,

Ou cada aparelho de som quebrado,

Cada aparelho porventura apreendido,

Ou cada aparelho de som danificado,

É mais um vizinho de bem agradecido

E o silêncio, certamente, confirmado.

 

Até quando essa situação vai durar,

O que a lei irá criar em nosso favor?

Será possível termos que denunciar,

Nosso direito ter que sempre impor?

Atire a primeira pedra quem destoar,

Ou vá se juntar aos porcos, caso for.