segunda-feira, 17 de julho de 2017

RESENHA CRÍTICA ACERCA DA TRILOGIA CINEMATOGRÁFICA, A CENTOPEIA HUMANA

Resenha crítica da trilogia, A Centopeia Humana

A recente trilogia cinematográfica de Horror, A Centopeia Humana (The Human Centípede), lançada cronologicamente entre os anos de 2009, 2011 e 2015, tem como base inicial a loucura e o sadismo do Dr. Heiter (Dieter Lase), um médico alemão aposentado que desenvolve uma técnica inusitada de ligar seres humanos pelos aparelhos digestivos, transformando-os numa espécie de centopeia humana. Na primeira sequência de 2009 são apenas três pessoas ligadas, porém a ideia prossegue com mais cobaias nos filmes seguintes, onde as vítimas são escolhidas aleatoriamente para participarem dessa experiência macabra.
Dirigida pelo alemão Tom Six, um cineasta inovador que resolveu experimentar cenas extremas e bastante polêmicas em seus filmes, essa trilogia vem sendo duramente repreendida por alguns críticos conservadores, classificando-a como propagadora de filmes repugnantes, perturbadores, um verdadeiro lixo cinematográfico. Não à toa, foi proibida ou censurada em vários países pelo conteúdo aterrorizante de algumas cenas. Entre as quais, sequências obscenas desnecessárias, excesso de sangue, mutilações e violência gratuita, sem falar nas cenas de escatologia e coprofagia que a princípio, se mostram um tanto implícitas.
A primeira sequência de A Centopeia Humana bem que prometia chocar o público com seu argumento forte, embora o filme tenha deixado logo de cara muita gente enojada, horrorizada com o que viu. Uma ideia interessante, apesar de não ter sido melhor aproveitada. Não há como negar que no início dessa franquia, ela apresentava uma proposta mais psicológica e menos caricata do que nas continuações seguintes. Nas sequências posteriores, o contra-senso atinge um grau de paródia, de pura ironia, fazendo o público até rir de certas situações. Com atores mal preparados, interpretando papeis ridículos e roteiros completamente absurdos, os três longas são recheados de clichês. Produções medíocres, com alguma criatividade, certamente, mas que não fogem das estatísticas de filmes considerados ruins.
No segundo filme, a aplicação do procedimento cirúrgico nos indivíduos que compõem a aberração artrópode não acontece, o que o torna ainda mais angustiante pra quem assiste. O vilão Martin (Laurence R. Harvey), um visível perturbado mental, alucinado com centopeias e obcecado com a história do primeiro filme, resolve fazer uma “obra caseira” do jeito que pode. Com isso, as dez pessoas envolvidas nessa nova experiência, têm as suas bocas pregadas ao ânus de outros somente com a ajuda de um grampeador e fita adesiva. O sádico orquestra por horas esse espetáculo macabro e sem a menor piedade, cortando a bunda e arrancando os dentes de suas vítimas sem nenhuma técnica ou anestesia necessária, além de praticar outras formas de torturas e sadismos que chegam a angustiar o telespectador.
A narrativa utilizada pelo diretor, produtor e roteirista Tom Six é no mínimo, tensa. Até uma personagem grávida (fictícia, porém bastante real) participa de uma cena onde ela, sozinha, dar à luz o bebê, mas acaba o esmagando com o pé durante uma fuga.
Por fim, a proposta do terceiro filme, que consiste em criar uma centopeia gigante com 500 pessoas, onde dessa vez presidiários são usados como cobaias. Segundo o enlouquecido diretor da penitenciária, Bill Boss (Dieter Lase, o médico do primeiro filme), essa é uma ideia revolucionária que poderá mudar o sistema prisional americano para o bem, economizando bilhões de dólares para os cofres do Estado. O mais fraco da trilogia, com um protagonista maluco que grita o tempo todo, esse filme superou qualquer expectativa no que diz respeito à frase “Nada é tão ruim que não possa ficar pior”.
A Centopeia Humana retrata de forma vil aquilo que há de mais degradante para o ser humano. As humilhações impostas, mesmo se tratando de algo irreal, ainda são ofensivas e ferem a dignidade de quem assiste a tais cenas. Depois de ver esse tipo de filme, dá pra encarar um filme pornô com a maior naturalidade e respeito pelos atores que o encenam. Em se tratando do gênero Horror, acreditamos que sétima arte tenha mais a nos oferecer.
É bastante aliviador saber que tudo acabou com esse terceiro filme. Afinal, a trilogia como um todo não se trata apenas de filmes dispensáveis. É também apelativa, nojenta, mentirosa, incoerente, sem qualquer roteiro ou história relevante. Desprovida de conteúdo e de cenas que a caracterizem como filmes de horror, chega a beirar o ridículo. Uma brincadeira de mau gosto onde o ponto alto talvez, seja apenas várias pessoas defecando na boca do próximo, algo que os fãs do primeiro filme são obrigados a engolir durante as sequências seguintes.

                                                         Paulo Seixas, julho/2017


Referência:

Trilogia/Filmes, A Centopeia Humana (The Human Centípede), 2009, 2010 e 2015
Dirigido por: Tom Six,


sexta-feira, 14 de julho de 2017

EM ESPECIAL PARA ONTEM, DIA 13 DE JULHO, DIA MUNDIAL DO ROCK

Ontem foi dia de ouvir Rock e de lamentar pelo lixo musical da atualidade...

      Minha sincera homenagem ao dia 13 de julho, Dia Internacional do Rock (Comemorado ontem, não tive como publicar este texto). Que a chama do bom e velho Rock'n Roll não pereça diante dessa musicalidade medíocre do século XXI.
      Vida longa às verdadeiras bandas e cantores que há décadas, traduzem a essência deste já eternizado gênero musical. A exemplo dos Rolling Stones, Iron Maiden, Metallica, Guns N’ Roses, U2... que continuam atuando com a mesma energia do início. E no Brasil, Titãs, Paralamas, Barão Vermelho, Capital Inicial, RPM, Ira, Engenheiros do Hawaii, entre tantas outras.
      Sem esquecer dos clássicos e imortais que há muito deixaram de existir, como The Beatles, Led Zeppelin, Bee Gees, The Doors, Ramones, Queen, Pink Floyd, Nirvana... no Brasil, em especial, Os Mutantes e a Legião Urbana, entre tantas outras bandas e artistas que já não atuam, mas que deixaram um legado musical eterno e inesquecível.
      Consequentemente, faço aqui uma dedicatória aos meus maiores ídolos desse gênero musical, em nível nacional e mundial: Raul Seixas e o rei, Elvis Presley.
        A-wa bop a loom map lop bang boom!!!

      Mas por que essa homenagem em 13 de julho?

      Foi no dia 13 de julho de 1985 que um cara chamado Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi, sem dúvida, o maior show de rock da Terra, o Live Aid - uma perfeita combinação de artistas lendários da história da pop music e do rock mundial.
    O Rock'n Roll, este gênero musical de grande sucesso surgiu nos Estados Unidos na década de 1950 e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo.
      Em 1954, Bill Haley lança o grande sucesso Shake, Rattle and Roll. No ano seguinte, surge no cenário musical o rei do rock, Elvis Presley. O roqueiro de maior sucesso até então, Elvis lança em 1956 o disco Heartbreaker Hotel, atingindo vendas extraordinárias.
      Diferente de tudo que já tinha ocorrido na música, o rock unia um ritmo rápido com pitadas de música negra do sul dos EUA e o country americano. Uma das características mais importantes desse novo gênero musical foi o acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e baixo.

      FELIZ DIA DO ROCK!  LONG LIVE ROCK'N ROLL!!

      “Rock pra mim não é só ritmo, uma dança. É todo um jeito de falar, de andar, de sorrir, vestir, estalar os dedos, namorar." (Raul Seixas)

    "O crítico de Rock é alguém que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para gente que não sabe ler.“ (Frank Zappa)



                                                          Paulo Seixas e conteúdo da Internet


terça-feira, 4 de julho de 2017

PROJETOS DE LIVROS E ATÉ DE UMA REVISTA SOBRE QUEIMADAS/ PB...

O sonho de qualquer autor, escritor, sem dúvida alguma, é ver a sua obra sendo publicada, chegando ao alcance de qualquer leitor. Eu, por minha vez, só experimentei até hoje essa sensação através dos cordeis que lancei e que distribuí GRATUITAMENTE para a população de Queimadas. 
Acima, todos os cordeis que escrevi, publiquei ou que simplesmente produzi para terceiros.
Apresento nessa postagem alguns projetos literários que nunca saíram (na íntegra) do meu computador. São ideias bastante adiantadas de livros e que, provavelmente, nunca irão pro papel. Portanto, diante da dificuldade financeira de publicar qualquer uma dessas obras, limito-me apenas a mostrar a intenção que tive ao criá-las. 

REVISTA FOTOGRAFIAS HISTÓRICAS DE UMA QUEIMADAS ANTIGA
(Projeto em andamento, dos mais viáveis, talvez...)
Photoshop de Lucas Ferreira
Completamente inédita, trata-se de uma viagem nostálgica através da história de Queimadas, mergulhada em imagens um tanto desconhecidas da maioria da população queimadense. Verdadeiras relíquias de um tempo que se foi. As fotografias que serão expostas foram selecionadas principalmente pelo seu aspecto histórico e cultural, revelando, sobretudo, alguma particularidade em especial, assim como belíssimos cenários do lugar. Material extraído exclusivamente do Blog Tataquaçú, essas fotos encontram-se distribuídas quase sempre em temas, seguindo uma sequência cronológica na medida do possível. Buscando, acima de tudo, relembrar um pouco da história da “cidade das pedras” ao longo do tempo.

MEMÓRIAS INESQUECÍVEIS DE UM ETERNO BRINCALHÃO
Capa ilustrativa, uma matriz da ideia
Minha autobiografia, minhas memórias mais "relevantes", tudo junto e misturado. Uma produção amadora, sem qualquer compromisso com os padrões ou as normas técnicas literárias. Trata-se, no entanto, de uma viagem nostálgica aos meus tempos áureos, passando pela minha infância, adolescência, e culminando nos meus 36 anos de idade, em 2009, data em que encerrei as pesquisas e toda a parte escrita. Dividido em três partes e, consequentemente, em nove capítulos, foi minuciosamente atualizado em 2012, onde alarguei o seu conteúdo com mais algumas lembranças “significativas”, mas todas referentes até o ano que utilizei como marco, 2009. Enfim, essa foi a maneira prática que encontrei de exercitar a minha escrita e composição textual, relatando algumas das minhas aventuras e as amizades de longa data.
      Material publicado com algumas ressalvas no meu Blog e no site Recanto das Letras.

ACRÓSTICOS DIVERSOS - POESIA EM DESFILE
Capa ilustrativa, uma matriz da ideia



     Escrevendo numa linguagem bem diferente da convencional, procurei utilizar aqui a técnica do Acróstico, uma configuração poética um tanto antiga, porém sempre inovadora ao manifestar uma ideia ou um pensamento propriamente dito. Não se trata, portanto, de um dicionário de nomes com os seus respectivos significados. Mas sim, de uma lista exclusiva, especialmente de nomes de garotas, por mim transformada em poemas personalizados. Com efeito, uma espécie de “bagagem sentimental”, referindo-me agora apenas às situações reais, recíprocas ou não.
         Material publicado exclusivamente no meu Blog e no site Recanto das Letras, embora eu venha tentando publicá-lo sem sucesso pela editora da UEPB, desde 2012...

MEMÓRIAS IMEMORÁVEIS DA ÁGUA PURA
Capa ilustrativa, digitada no Word


       Reunião de alguns pequenos cordeis e poemas produzidos no Rio de Janeiro, entre os anos de 2003 a 2008. O tema é um só, a Água Pura, certo depósito de águas no qual trabalhei durante esse período. A experiência que obtive nesse trabalho foi para mim uma verdadeira lição de vida, onde eu realmente aprendi muita coisa, principalmente a “abrir os olhos” perante das coisas, ficando mais esperto diante das maldades da vida.
        Material publicado exclusivamente no meu Blog e no site Recanto das Letras.

QUEIMADAS - DO INSUCESSO À DERROTA
Capa ilustrativa, uma matriz da ideia

     Reunião dos meus três primeiros folhetos de cordel, escritos no final da década de 1990. Reavaliados em abril/2009, apresentam as seguintes “estórias”: • A SOLUÇÃO DE QUEIMADAS (Definitiva), acrescentando um desagravo; • Uma solução para O PEQUENO COMÉRCIO EM QUEIMADAS;  E, na mais surpreendente das ironias, • QUEIMADAS, MINHA CIDADE MARAVILHOSA! (A esculhambação final)
       Material publicado exclusivamente no meu Blog e no site Recanto das Letras.

SOBRE ALGUÉM NADA ESPECIAL... UM MINI ROMANCE DA VIDA REAL. A HISTÓRIA DE UM ROMANCE REAL 
         
Capa ilustrativa, digitada no Word
   

       Utilizando-me apenas de pronomes e alguns adjetivos desprezíveis (#$@$#%$#), consegui narrar toda uma trajetória amorosa/sentimental que vivi com certa pessoa, a qual, felizmente, sumiu da minha vida para sempre. Trata-se, portanto, de uma espécie mais elaborada de desabafo, onde eu procuro mostrar até que ponto pode chegar a falta de caráter de alguém. Iniciei esse texto dois meses antes do fim...
         Material publicado exclusivamente no meu Blog e no site Recanto das Letras.

DISCURSOS POÉTICOS DE UM CANDIDATO FRUSTRADO

Capa do cordel, lançado após eleição
Reunião dos meus melhores discursos em forma de poesia, recitados em palanque ao longo de toda a campanha política em Queimadas/PB, no ano de 2012, na qual me candidatei a um mandato de vereador pelo município. 
Lançado em cordel e também publicado no meu Blog e no site Recanto das Letras, esse material é um registro fiel do que essa campanha eleitoral representou para mim enquanto candidato.


UM AMOR QUE PRA SEMPRE PERDI e PRA QUANDO ELA VOLTAR...
Capa do cordel que produzi, 2015
Textos em poesia desenvolvidos por Dário Cunha Cavalcante, sendo editados e corrigidos por mim. Segundo o autor, o intuito desses poemas é levar reflexões e decepções sobre o amor. Mas, acima de tudo, têm o objetivo maior de mostrar que amando se vive bem e sendo amado, ainda melhor. 
Esse material foi lançado em cordel e também publicado no meu Blog e no site Recanto das Letras.

MÚSICAS/ TEMAS DE COMERCIAIS ANTIGOS DE TV E RÁDIO
     
Capa ilustrativa, digitada no Word
  Estas letras musicais fazem parte de um acervo particular de mais de 150 comerciais de TV e Rádio, especialmente, das décadas de 1980 e 1990, quando eu decorava e escrevia à mão esse material num pequeno caderno escolar.
  Material publicado exclusivamente no site Recanto das Letras.



Processo de criação de um dos meus cordeis. João de Carminho, Um Mito Queimadense,
onde teci em versos um relato biográfico de uma figura lendária em Queimadas.
A satisfação de poder publicar uma obra literária não tem preço. Inclusive,
esta fotografia clicada pela câmera do amigo Marlon Luã, foi na biblioteca de
seu irmão, o amigo Marciano Monteiro, que lançou a pouco seu primeiro livro,
A Política como Negócio de Família: para uma sociologia política das elites e
do poder político familiar.


     Meu endereço no site Recanto das Letras:



segunda-feira, 26 de junho de 2017

O EX-GOVERNADOR E O CONSERTO DO AVIÃO

O EX-GOVERNADOR E O CONSERTO DO AVIÃO

     O ex-governador da Paraíba, José Maranhão, por ser piloto de avião e entender consideravelmente de aeronáutica conseguiu, no início do seu governo, economizar oitenta por cento do valor de um serviço mecânico no avião do Estado, uma vez que ele acompanhou pessoalmente o conserto da aeronave. 
      O fato foi bem explorado na época pela Assessoria de Imprensa, mostrando o lado austero do governo e ganhando as manchetes nacionais. Os bajuladores de plantão passaram a cumprimentar o governador sempre associando-o ao tema "aeronáutica". 
   Numa visita ao sertão, foi recebido por várias autoridades e lá no fim da fila estava um bêbado para cumprimentá-lo. Como já era acostumado com a bajulação, ficou ouvindo os cumprimentos: 
   - Governador Maranhão, o senhor é um verdadeiro Santos Dumont da aviação!... 
 - Governador, o senhor é um verdadeiro falcão voador!... 
  - Governador Maranhão, o senhor é um verdadeiro condor dos ares!... 
    Chega a vez do bêbado que diz: 
  - Governador, o senhor não é mais um maranhão... o senhor é um verdadeiro "carai-de-asa"!!!

     kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!


                                                                    Do Whatsapp


sexta-feira, 9 de junho de 2017

MEU 3º CORDEL: QUEIMADAS, MINHA CIDADE MARAVILHOSA! (A ESCULHAMBAÇÃO FINAL)

NA MAIS SURPREENDENTE DAS IRONIAS,
EU LHES APRESENTO:
QUEIMADAS, MINHA
CIDADE MARAVILHOSA!
(A ESCULHAMBAÇÃO FINAL)

Meu terceiro folheto de cordel da cronologia Queimadas, década de 1990

Durante estes sete anos de publicações em meu Blog, eu sempre me neguei em postar os meus primeiros cordeis, visto que eles contêm um forte conteúdo de críticas, palavrões e baixarias em relação à cidade de Queimadas/PB. Este terceiro cordel da cronologia então, é o pior deles, acreditem, kkkkkk! Era uma época de rebeldia e revolta sem tamanho, onde a criatividade aflorava e, como que numa espécie de vômito, pedia passagem. Passados quase vinte anos, acredito que estes meus "crimes literários" já prescreveram todos, kkkkkk! Portanto, baseado na minha liberdade de expressão e de imprensa (lembrando que tenho o diploma, kkkkk!), tá na hora desse material vir à tona novamente.

FDP³ Produções apresenta mais um sensacional espetáculo de baixarias...

QUEIMADAS, MINHA CIDADE MARAVILHOSA!
Meu terceiro folheto de cordel, de 1998

Um homem suficientemente culto
Sequer pensa em conhecer Queimadas.
O nome em si já parece um insulto
E este “lugarzinho” não vale nada.

Até um padre aqui já mataram
Uma total falta de fé existe,
Entre os males que prosperaram
A covardia é quem mais resiste.
Muitos “demônios” já se enterraram
E, por herança que deixaram,
Um ou outro ainda persiste.

Queimadas, “lixo tóxico” da Paraíba,
Êta cidadezinha nojenta de se morar!
Foi onde perdi parte da minha vida;
O inferno tem a cara deste lugar.

Se maldade fosse uma virtude,
Nisso aqui haveria até campeão.
Um povo mesquinho, sem atitude,
Onde nada se faz por um irmão.

Moro aqui desde os três anos
Mas nunca gostei desta cidade,
Pois aqui residem uns “fulanos”,
Gente muito ruim e covarde.

Neste lugar se um malandro
Comete alguma perversidade,
O “babaca” que fica olhando
É quem vai pra trás das grades.

Mas, afinal, não é todo mundo,
Muito mesmo pelo contrário.
Em meio a tanto vagabundo
Encontra-se ainda muito “otário”.

Sim, o otário. Mas no bom sentido,
Pessoas honestas como eu e você,
Dos quais nunca se tem ouvido
Qualquer vacilo ou mal-entendido
E que venha a nos comprometer.

Esta cidade eu a rejeito
Não só devido certa gente,
E sim, porque não há jeito
Desta “bomba” ir pra frente.

Um município que só não evolui
Por falta de uma boa administração.
Ausência de um governo sério, que atue,
Pois nessa Prefeitura não se inclui
Alguém de competência e decisão.

Não quero ser repetitivo, podem crer,
Mas não me resta outra opção,
Se este lugar tiver de crescer
Será mesmo na base do empurrão.
Pois para uma cidade engrandecer
É necessário um prefeito ter
Coragem, pulso firme e ação.

Como é que eu posso gostar
De alguma forma desta cidade,
Se não há uma praça, um lugar
Que possa servir à comunidade?!

Nesta porcaria de cidade
Um hospital sequer não tem,
Há uma velha maternidade
Que, para o bem da verdade,
Na realidade não serve a ninguém.

Ninguém lê nos jornais uma boa notícia
Queimadas é uma negação, o ano inteiro.
Não tem sequer um batalhão de polícia
Para descer o cacete em maconheiro.

Um clube decente aqui não existe,
Imaginem então um moderno hospital.
Um enfermo, coitado, já vive triste,
De toda maneira passando mal.

Em se tratando de obras eu digo
Que há vários anos nada aqui foi feito.
Para todos isso é mesmo um castigo;
É a pura incompetência dos prefeitos.

Até parece que o dinheiro
Das verbas do município,
Desaparece assim, por inteiro,
Não deixando nenhum vestígio.

E não adianta alguém vir dizer
Que quebrar o que está feito então,
É algo realmente por se fazer
Para se valer por uma gestão.
Eu quero ver grandes obras em via,
Nós que pagamos impostos em dia
Muito mais podemos merecer,
Digo isso pois também sou cidadão.

Falar de mal deste lugar
É para mim motivo de alegria,
Eu quero é poder “vomitar”
Tudo quanto for de baixaria.

Não, não sou nenhum revoltado,
Nenhum louco ou coisa assim.
Só quero deixar aqui registrado
O que este lugar desgraçado
Ainda significa para mim.

Este “chão” fora amaldiçoado
Desde a época que mataram o padre,
E eu torço para que esse legado
Nem no inferno nunca se acabe.
Um “buraco” onde só tem pobre,
Espero que o Diabo um dia cobre
E se aposse de vez desta cidade.

Até as chuvas evitam este lugar
Deus despreza, o Diabo até gosta.
O povo é ignorante e é bom lembrar:
Este lugarzinho é pior que bosta!

Foi aqui, neste lugar mesquinho,
Onde quase perdi minha dignidade.
Considerem como forma de carinho
Chamarem esta merda de cidade.

A ignorância predomina
No povo desta cidade,
Um vírus que contamina
Todo o seio da sociedade.
       
Como posso gostar de um lugar
Que só valoriza o que há de pior,
Onde a música que se ouve tocar
É somente esse maldito forró.
A minha mente já atrofiou, pudera,
Ouvindo a voz nojenta dessas “cadelas”
Ninguém espere resultado melhor.

Esta cidade precisa é de Rock
Ou do Rap esperto de Gabriel,
Um simples contato, um mero toque
Inspirou-me a fazer este cordel.
Abandonem esse forró, ainda há tempo
Não como uma conversão, fiquem atentos;
O Rock não leva ninguém ao céu.

Em qualquer um mapa vagabundo
Vocês certamente irão encontrar,
O Nordeste sendo o “resto” do mundo,
A Paraíba, um “cu” aberto pra cagar.
E Queimadas, por herança que herda,
Não merece sequer ser a “merda”,
Visto que esta se recusa afundar.

Uma cidade que não tem cultura
Não vai além do seu próprio atraso,
Os que se encontram na Prefeitura
São os secretários do descaso.
Aqui não se investe em música, teatro,
Numa simples feira de artesanato,
E em educação, no melhor dos casos.

O atual prefeito bem que prometeu
Por toda a sua campanha afora,
Que investiria mais no ensino
Ampliando e construindo escolas.
Sabemos que algo disso foi feito,
Pelo resto esperamos até agora.

A ignorância aqui é predominante
Sendo necessário investir mais na escola,
Essa rapaziada, tamanhos ignorantes
Só aproveitam o tempo jogando bola.
Tantos que poderiam ser graduados,
Não passarão de simples empregados
Em uma empresa que só explora.    
       
Não sei se acuso ou defendo,
Nem sei de que lado estou, afinal.
Apenas duas coisas aqui condeno:
A mentira e o descaso em geral.

O ano de 1996
Serviu para todos como uma lição,
Não adianta ir de encontro às “elites”
Que dominam o lugar e a situação.
Perdemos a chance e até o respeito,
Não conseguimos eleger o prefeito
Que já tava eleito em nossas mãos.

Homens da política, senhores do poder
Abram os olhos para este recado:
Não deixou de ser obrigação ou dever
O compromisso para com o Estado.
O descaso aflora em evidências
E não sou eu que tomarei providências
Apenas com o meu gesto indignado.

Queimadas está no roteiro
De alguns municípios atingidos,
Não pela falta de dinheiro,
Mas pelo trabalho não cumprido.
Cadê aquele tão prometido hospital?!
É a população doente passando mal,
O pobre pra sempre vive “fudido”.

(Se bem que essa raça pobre
Acostuma-se desde cedo a sofrer.
Ô gentinha feia, ninguém me cobre;
Faço parte e por isso posso dizer.
Admiro um rico por ser esnobe,
Que na sua mesa sempre sobre
As migalhas pro miserável comer.)

Prefiro não fazer indagações
Sobre coisas que eu até desconheço,
Não são más as minhas intenções
Nem também exijo delas um preço.
Não proponho aqui difamações
Nestes versos que ofereço.

As promessas de uma campanha
São palavras que não voltam atrás,
A cada eleição o cidadão apanha
E promete não votar nunca mais.
O voto é um dever da cidadania
Não pode ser trocado por ninharia,
Uma vez que trocando, nada se faz.

Não tenho “telhado de vidro”
Saio na chuva é pra me molhar,
Quem tiver um par de ouvidos
Tape agora se não quiser escutar;
- Adoro esta minha cidade linda
E o meu prazer será maior ainda
Ao vê-la um dia se afundar!

Juntamente com esses hipócritas
Que se dizem os donos do lugar,
Pessoas ridículas, tamanhos idiotas
Que não sabem sequer se perguntar,
Quem são, de onde vem, e o que farão,
São incapazes de encontrar uma solução
Nesta merda em que vivem a pisar.

Já prometi não recorrer
Em outra ocasião, a se saber,
Ao poder da baixaria.
Mas o que posso então fazer
Quando há tanto o que dizer
E criticar o dia-a-dia
De um lugar onde a tristeza
Confunde-se com a natureza
Numa espécie de harmonia?!

Não consigo calar a voz
Tenho que “cuspir” o que sinto,
Pra infelicidade de todos nós
Infelizmente eu não minto.

E este lugar, ele fede demais,
Tudo aqui é podre e nojento,
As ruas, os becos e locais,
O lugar inteiro é fedorento.
A imundície é física e intelectual,
O analfabetismo é uma praga geral,
Só faltam abrir escola pra jumento.

E o forró tem a sua parcela de culpa
Somente ele é que deixa o povo na mão,
Em vez de ficarem ouvindo essas putas
Deveriam ouvir mais o som do Lobão.

Quanto ao meu último folheto
O incentivo foi gratificante,
Alguns nem chegaram a ler direito
E já o rasgaram o quanto antes.
Uns até usaram no banheiro
E após limparem o seu traseiro,
Sentiram o cu menos ignorante.

Enfim, este ainda é o meu lugar
Pode nem ter encantamentos mil,
Mas é o nosso chiqueiro, nosso lar.
E se algum turista um dia perguntar
Pelas maravilhas que aqui não viu,
Não se esqueçam então de avisar
O recado que agora vou passar;
- Vai pra puta que o pariu,
Turista burro, imbecil!
Tanto lugar bonito nesse Brasil
E logo em Queimadas “cê” vem baixar?!

Talvez quem sabe algum dia
Queimadas cresça com a sabedoria,
De alguém com honestidade
Que trabalhe mesmo de verdade,
Que tenha em mente apenas ação
Para governar com decisão,
E fazer deste ignorado lugar
Algo próspero de se orgulhar.


                              QUEIMADAS, ABRIL/1998.