segunda-feira, 2 de julho de 2018

CORDEL INÉDITO - DISTINÇÃO ENTRE VERSO E RIMA, POEMA E POESIA.

Um Cordel inédito que nunca saiu dos meus arquivos.

     O Blog Literário - e interdisciplinar - Paulo Seixas está completando 200.000 (duzentas mil) visualizações. Para comemorar este feito, estou disponibilizando aos amigos internautas um Cordel ainda inédito que escrevi há mais de um ano, o qual, por falta de recursos, não pude fazer sua impressão no papel.
     Intitulado Distinção entre Verso e Rima, Poema e Poesia, este é um material exclusivo, de minha própria autoria e que serve, inclusive, para ser trabalhado em sala de aula. Com definições detalhadas acerca do tema proposto, apresento um conteúdo bastante esclarecedor e essencialmente necessário para desfazer dúvidas sobre o assunto.
      Um  Cordel, portanto, com uma finalidade paradidática, e que ficará à disposição que qualquer professor, especialmente de Literatura ou Língua Portuguesa, e que desejar trabalhar poesia e estrutura de versos com seus alunos.
        


QUEIMADAS - PB. SETEMBRO/2016

Todo escritor de cordel
Errou no primeiro folheto.
Seja por falta de prática
Quando ali buscava jeito,
Ou porque simplesmente
Não sabia escrever direito.

A base estrutural do cordel
É o verso, a métrica e a rima,
Onde somente a experiência
Com o tempo é que ensina,
Mostrando como uma estrofe
Começa ao certo e termina.

Não há qualquer mistério
Em escrever algo rimado,
Seguindo uma sequência
De alguns versos ritmados,
Onde nem sempre a poesia
É um fator a ser registrado.

Faça-se, pois, a distinção:
Verso, rima/ poema, poesia.
A rima é uma combinação
Que contempla parcerias,
Em frases onde a tristeza
Interage com a alegria.

Rimar é algo tão natural
Quanto o ato de respirar,
Um acordo entre vocábulos
Em versos a se adequar.
Cada verso é uma linha,
Com palavras a ajustar.

Uma reunião de versos
No poema forma estrofes,
Onde têm rimas simples,
Difíceis e até rimas fortes.
Como achar concordância
Para cinza e estrogonofe.

Um verso essencialmente
Não precisa nascer rimado.
Rima é uma característica
De um poema sonorizado.
Como exemplo, os cordéis,
Com seus versos cantados.

A métrica regula o tamanho
Do verso a ser desenvolvido,
Contando as sílabas poéticas
Num poema bem distribuído;
Saem versos de boa estética,
Os quais não ferem o ouvido.

Não apresentado em rimas,
Traz o poema certo encanto
Em perfeitas frases poéticas;
Os chamados “versos brancos”.
É quando a poesia se afirma,
Buscando de vez o seu canto.

A poesia encontra-se contida
Em tudo que há expressão,
No encanto de alguma arte,
Sensibilizando um coração.
Assim, não é qualquer verso
Que exprime essa emoção.

Cabe ao poeta descobrir
Aquilo do que ele é capaz,
Domínios de Linguística
E capacidades intelectuais.
Conhecimento de mundo,
Entre outras coisas mais.

Fatos que farão diferença
Na obra de qualquer artista,
Nos versos que ele molda
Em sua forma de escrita.
Traçando assim um perfil,
Como em todo cordelista.

É livre para se inspirar
Esse poeta dos folhetos,
Versejando sobre tudo
Ele sempre arranja jeito,
Com a sua poética única,
Criando versos perfeitos.

Embora não signifique
Que origine uma poesia.
Essa vem da inspiração,
Do encanto e da magia,
A qual consagra o poeta
Numa perfeita harmonia.

Um artesão da palavra,
Assim se declara o poeta.
Com uma sensibilidade
Sempre acima da meta,
Trazendo na composição
A expressão mais direta.

Poesia não tem definição,
Que fique bem explicado.
Nem tampouco se origina
Em algum verso rimado.
O poema é uma estrutura
E a poesia, o resultado.

Definir é também limitar,
E poesia não se entrega.
Há quem procure discuti-la,
Ao que todo poeta se nega.
Algo que vai muito além,
A poesia não segue regra.

Utilizando ou não a rima
E até em versos figurados,
Todo poeta se manifesta
Trazendo, pois, seu recado.
Formando numa estrutura
Um poema caracterizado.

Poema é obra em versos,
Bem como sua disposição.
Uma reunião de palavras,
Propiciando uma intenção.
Existindo por si mesmo,
Não depende de atenção.

Composição pouco extensa
Com versos em seguimento,
Poemas brindam à poesia
Em determinado momento,
Expressando até sem rimas
Todo o seu encantamento.

Também objeto empírico,
É produto da experiência,
Levando todo bom poeta
A versejar com excelência.
Produzindo versos perfeitos,
Moldando-os com paciência.

Ao alcance de qualquer leitor,
Tem sua existência concreta,
Com traços personalizados
Distinguindo assim, o poeta.
O poema atravessa séculos,
Sua mensagem é completa.

Poesia é atributo do texto,
Vai além de um significado.
Presente em quem a sente,
É conteúdo imaterializado.
Não existe por si mesma,
Filosoficamente provado.

É ainda condição poética
Transmitida com emoção,
Onde entra a sensibilidade
E todo um “n” de inspiração.
Deixando invadir na alma,
Tocando antes o coração.

É como contemplar o sol
Irradiando ao amanhecer,
Ou como observar a lua
Em um sublime anoitecer.
É assim que uma poesia
Manifesta-se em um ser.

Vem desde a Antiguidade
Despertando sentimentos,
Estando bem relacionada
Com artes em movimento.
Como exemplo, a música,
Um perfeito casamento.

Quando aliada à música,
Torna-se clara a poesia.
As palavras fluem melhor
Num verso que contagia,
Tornando bela a canção,
Dando ênfase à melodia.

A poesia tá para a música
Como o arroz para o feijão,
Uma completando a outra,
Buscando, assim, perfeição.
Ainda que cada compositor
Tenha a sua especialização.

Mesmo um grande poeta
Como foi Manuel Bandeira,
Ou até Carlos Drummond
Em toda história brasileira,
Poderiam não render bem
Compondo dessa maneira.

Um poema pra ser belo
Tem que tocar na alma,
Com a leveza de versos,
Merecendo toda palma.
Para tanto ele deve ser
Escrito com toda calma.

Os poemas acompanham
Momentos de inspiração.
São frutos de experiências
Expondo alguma relação,
Envolvendo sentimentos
Como amor, ódio e paixão.

Sejam emoções vividas
Em laços compartilhados,
Muita história de romance
Vivida em algum passado,
Já resultou vez ou outra
Em versos bem inspirados.

Porém, já dissera Cazuza,
O grande músico roqueiro:
“Eu sou poeta e não aprendi
a amar”, sendo verdadeiro.
Como se tivesse se tornado
Da poesia um prisioneiro.

Fernando Pessoa escreveu
Que o poeta é um fingidor,
Pois retrata em um poema
Os tormentos de uma dor,
Aquela que jamais sentira,
Especialmente de um amor.

Aliás, o pensamento é livre
E a inspiração, muito mais.
Ao poeta cabe a liberdade
Com os seus dotes naturais,
De originar versos e poesia,
Alcançando os seus ideais.

Feita, enfim, a separação
Acerca de poesia e poema,
Ao tentar escrever versos
Ninguém achará problema.
Uma tarefa que, no entanto,
Para muitos é um dilema.

                              

    PAULO SEIXAS - EM DEFESA DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO
                 Apoiando a Educação, a Cultura e todas as
                   manifestações de arte, em qualquer lugar.