QUEIMADAS PB, MAIO/2019
Na ociosidade em que eu vivo
Há muito tempo sem trabalhar,
Sem ter uma rotina, um emprego
No qual eu possa me ocupar,
Pergunto-me: O que faço aqui?
Muitas coisas me fazem refletir
Sobre a vida que vivo a levar.
Uma
vida vazia, sem objetivos,
Sem
algo que faça a diferença.
Onde
nada faço, nado construo,
Apenas
uma cabeça que pensa.
Mas,
como diz o meu velho pai,
“Todo
penso é torto”, e logo vai
Aumentando
minha descrença.
Sempre pela manhã, ao acordar
Vou consultar a minha agenda.
Sem nada pra fazer, o dia
inteiro,
Uma despreocupação tremenda.
Limpo um quintal, varro calçada,
Não fico à toa, sem fazer nada,
Embora isso não resulte renda.
“Mente
vazia é oficina do diabo”,
Já
diz um antigo ditado popular.
Na
falta de um emprego formal,
Coloco
a mente para funcionar.
Faço
“bicos”, escrevo poemas,
Não
resolve meus problemas,
Mas
ajuda o tempo a passar.
Muitos “amigos” até se afastam,
E em conversas de pé de muro
Começam a me malhar e difamar:
- Aquilo é um zé ruela, sem
futuro!
Um bom amigo, pra muita gente
É o que traz o dinheiro na
frente,
Fazendo outro se sentir seguro.
Amizade
sem qualquer interesse,
Conservo
algumas no coração.
Que
pensam no meu bem estar,
Independente
da minha condição.
Referente
à minha conta bancária,
Essa
continua sempre precária,
Difícil
de apresentar uma solução.
“Não tenho onde cair vivo”, seria
A forma correta de me expressar.
Desempregado, e sem dinheiro,
Dívida jamais poderia comportar.
Meu nome, há de continuar limpo,
Pois, cada dia mais eu pressinto
De que alguma coisa vai mudar.
Do
jeito que está, nunca poderei
Algum
dia nesta vida conseguir,
Uma
independência financeira,
Algum
patrimônio vir a adquirir.
Não
adianta só conhecimento,
Tem
que suar, “cair pra dentro”,
Fazer
acontecer, e repercutir.
De que adianta ter formações
Em nível técnico e até superior,
Se eu não consigo um trabalho
Em qualquer uma área que for?
Ainda sou “pau para toda obra”,
Apesar de que a saúde cobra,
Uma coluna que me causa dor.
Tem
gente que só fica esperando
Alguma
coisa acontecer e mudar.
Mesmo
a chuva que cai é preciso
Ter
um reservatório para guardar.
Igual
ao trigo que, para se colher,
É
necessário arar a terra e saber
Que
existe hora certa de semear.
Não são metáforas ou analogias
Que vão resolver o meu problema.
O fato é que o sistema
trabalhista,
Em nível de Brasil, virou
esquema.
Empresário explora, não é amador,
Empregado pra ele não tem valor,
Será sempre esse mesmo sistema.
Não
procuro cobrar do meu país,
Inclusive,
dos nossos governantes
Pela
crise que assola este Brasil,
Onde
o desemprego é constante.
Nessa
minha vida de comodismo,
Falta-me
certo empreendedorismo
Que
já tive num passado distante.
Pois me deixei levar pelo tempo
E brinquei mais do que eu devia.
Nos trabalhos por onde passei
Sempre lutei pela “mais valia”.
Patrão de mim, jamais gostou,
E assim, a minha vida passou,
Ficando a experiência em dia.
Quanto
mais conhecer direitos,
Suas
prerrogativas trabalhistas,
É
que o trabalhador brasileiro
Descobre
quanto há injustiças.
Nem
sempre carteira assinada
Significa
cumprir uma jornada;
Fica
mais simples ser diarista.
Salário reduzido e até mal pago,
Embora o trabalho seja integral.
Onde muitos entram na empresa
Já pensando em “colocar no pau”.
Por isso, continuo desempregado,
Mas não hei de ficar desesperado;
Pior do que está não fica,
afinal.
“Empregado,
nem pra comer doce”,
É
mais um antigo ditado popular.
Seja
formal ou da informalidade,
Trabalhador
tem que se desdobrar.
Pois
todo empregador ou patrão,
Só
quer do funcionário dedicação,
Não
adianta portanto, vir bajular.
Com um bom histórico na carteira,
O bom profissional sempre rende.
Mas, após os quarenta, fica
difícil,
Nenhum empregador compreende.
Problema igual que o jovem
retrata,
Sem experiência, não se contrata;
E sem ter chance, nunca aprende.
Essa
é uma realidade incoerente,
Sempre
foi assim, não vai mudar.
Requerer
experiência dos jovens
É
ver a ordem das coisas se alterar.
Viemos
nessa vida para aprender,
Ninguém
nasce pronto a se saber,
Sem
antes ao menos, poder errar.
No Brasil é difícil ter
esperanças.
Podemos esperar uma melhora?
O mais difícil é imaginar um país
Onde a própria lei não corrobora.
Complicado, isso tem que mudar.
O ideal seria a base transformar,
Investir na Educação, na Escola.
O
brasileiro já vive acostumado
A
aceitar tudo, sem nada a dizer.
Poucos
conhecem seus direitos,
Na
vida, no trabalho, até no lazer.
E
o desemprego é barra-pesada,
Falta
mão de obra especializada,
Aquela
onde é preciso conhecer.
Para se combater o desemprego,
Tem que investir em capacitação.
No Brasil, é a mão de obra barata
E o subemprego que vira opção.
Uma juventude que não estuda,
Ao buscar emprego, não se iluda,
O que vai conseguir é ser “peão”.
Cada
qual que resolva sua vida.
Eu,
por minha vez, me garanto.
Consigo
atuar em várias áreas,
Ou
trabalhar em qualquer canto.
Não
sou exigente, sou factual.
Já
que não sou um intelectual,
Vou
me virando, por enquanto.
A vida de um homem é trabalhar,
Ou encara esse fato ou desiste.
Viver como mendigo, vagabundo,
É uma vida realmente muito
triste.
Diz o ditado, “O trabalho
enobrece”,
Mas também adoece, enlouquece...
Nesse mundo onde de tudo existe.
Sem
ter um compromisso na vida,
Um
homem nunca há de avançar.
Só
uma preocupação, uma dívida
E
até uma mulher pra lhe chatear
É
que transforma o seu destino.
Nunca
vai passar de um menino

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