quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CORDEL - BIU DUARTE, UMA HISTÓRIA DE TRABALHO, DE FÉ E DEDICAÇÃO





QUEIMADAS, JUNHO/2026

 

Inspiração é a ferramenta

Utilizada na maior parte

Para compor este folheto,

Verdadeira obra de arte.

Escrito com enorme zelo,

Mostra sem muito apelo

Quem foi Seu Biu Duarte.

 

Um homem trabalhador,

Viveu pra ser comerciante.

Honrado e pai de família,

Merecendo nesse instante

Ser de todo homenageado.

Com carinho ser lembrado,

Agora mais do que antes.

 

Severino Duarte da Costa,

Por esse nome foi registrado.

No município de Queimadas,

Onde ele nasceu e foi gerado.

Perto dali, em alguma parte,

No sitio Gravatá dos Duarte,

À vida ele foi consagrado.

 

         No dia 2 5 de junho de 1 9 4 8

         Seu pai, José Duarte da Costa

         E sua mãe, Maria das Neves,

         Ambos receberam a resposta.

         Nascia mais um filho amado,

         Este que seria tão abençoado,

         Reforçando qualquer aposta.

 

Seu pai fora um fazendeiro,

Fazendo queijos pra vender.

Foi vereador em Queimadas,

Por dois mandatos a se saber.

Sua mãe, uma dona de casa,

Da família e do lar cuidava,

Onde via cada filho crescer.

 

        Seu Biu cresceu numa fazenda

        Que ficava no sitio Maxixeiro.

        Ao lado de mais nove irmãos,

        Dois adotivos, amor verdadeiro.

        Era uma família maravilhosa,

        Com tantos filhos, numerosa;

        Seu José Duarte foi guerreiro.

 

Biu Duarte teve princípios

E uma infância bem normal.

Alfabetizado, estudou pouco,

Só até o 5 ano fundamental.

Ainda criança já trabalhava,

E pelo trabalho demonstrava

Um interesse bem especial.

 

Não é que fosse obrigado,

Mas era algo que ele fazia

Até com certa naturalidade,

Onde o seu pai somente ria.

Aos 4 anos montava jumento,

Ia da Malhada lá para dentro

Pegar leite nessa montaria.

 

E assim, foi passando o tempo,

Biu Duarte chegou à maioridade.

Aos 18, migrou pra Minas Gerais

Em busca de alguma atividade.

Com o primo, sem brincadeira,

Logo montou uma desnatadeira,

Em Teófilo Otoni, nesta cidade.

 

        Um ano depois ele retornou,

        Trazendo alguma experiência.

        Entre os seus 19 até os 23 anos

        Foi adquirindo certa vivência.

        Vivia sozinho, sem ninguém,

        Sabia comprar e vender bem,

        Pra isso ele tinha inteligência.

 

Resolveu, então, ser negociante,

Com vendas passou a trabalhar.

Investiu no comércio varejista,

Uma mercearia, para começar.

Inicialmente, e ainda solteiro,

Saiu lá do seu sítio, Maxixeiro,

Indo pra Pernambuco apostar.

 

        De Minas para Recife, capital,

        De queijeiro para comerciante,

        Seu Biu agregou conhecimento

        A ser lembrado nesse instante.

        Juntou bens, ganhou dinheiro,

        Na comunidade Três Carneiros,

        Área de subúrbio importante.

 

Infelizmente, teve que voltar

Pra Paraíba, seu real destino.

Foi aqui onde pôde encontrar

Suas raízes, o verdadeiro tino.

Nessa época Seu Biu se casou,

E uma família incrível formou,

Um presente realmente divino.

 

Casou com Neurivalda Diniz

No dia 30 de abril de 1972.

Juntos somaram pela vida,

Unindo o que tinham os dois.

Moraram em sítio, no início,

Com algum pouco sacrifício

Vieram para a cidade depois.

 

Instalaram-se lá pela Vila,

De Queimadas, por anos.

Mas Seu Biu queria mais,

Já estava em seus planos.

Fez negócio, sem vaidade,

E para o coração da cidade

Mudou pro centro urbano.

 

        As chances e oportunidades

        Não esperam para acontecer.

        Portanto, aproveitou a deixa,

        Soube como investir e fazer.

        Casa velhas abriram caminho

        À lanchonete, ao mercadinho,

        Comprou sem se arrepender.

 

Pontos comerciais e centrais

Com o tempo são valorizados.

E quanto mais o tempo passa,

Aumenta o valor de mercado.

Seu Biu tinha visão de futuro,

Sabendo enxergar no escuro,

Fazia acordos com resultado.

 

        Foram décadas de negócios,

        A família trabalhando duro.

        Seu Biu Duarte era perspicaz

        E soube construir um futuro.

        Aos filhos, deixou de herança

        O trabalho, a fé e a confiança,

        Sendo o caminho mais seguro.

 

Entre os filhos de Biu Duarte,

O primogênito é o Raminho.

O João, que nasceu especial,

Por quem todos têm carinho.

Depois vem o filho Rogério,

E Jerônimo, com ar de sério,

Por último veio o Duartinho.

 

Tem também a Socorro,

A sua única filha mulher.

São ao todo cinco filhos,

Tementes a Deus e na fé.

Sempre juntos, hoje e antes

Onde a união é constante

Como uma família requer.

 

Dona Neuri, sua matriarca,

Comanda a todos de perto.

Tem tanto amor pelos filhos

Como também pelos netos.

Com ela é somente abraços,

Não consentindo embaraços,

E nem tampouco desafetos.

 

        Família que convive unida

        Não recua diante de um não,

        Encarando qualquer desafio,

        Decidindo qualquer questão.

        Esse é o segredo da vitória,

        Irmãos Duarte tem história

        Quando o assunto é união.

 

Irmãos que se correspondem

É uma família que se entende.

Pois quando o amor se instala

Todo e qualquer mal se rende.

Nesse quesito, de fé inabalada

A família Duarte é abençoada,

Um exemplo que se estende.

 

        Com coragem e determinação

        Seu Biu seguiu nessa trilha,

        Traçando a sua trajetória

        Acompanhado da família.

        Trabalhando sempre junto,

        E assim, expandindo muito,

        Como a estrela que brilha.

 

Seu Biu Duarte tocava violão,

Gostava de adorar ao Senhor.

Aos domingos, fazia um culto

Louvando a obra do Criador.

O seu compromisso semanal,

Reunir nesse culto dominical

Pessoas que pregam o amor.

 

Vivia bem simples, como tal,

Não era de luxo ou vaidade.

Comia até cuscuz com açúcar,

Para ele, comida de verdade.

Coalhada com fuba de milho,

E, segundo um de seus filhos,

Ele se alimentava à vontade.

 

A experiência de uma vida

Compensa falta de instrução.

Não se aprende só com livros,

Basta ser curioso, ter atenção.

Nisso, Seu Biu fez faculdade,

Não trocava sua capacidade

Por diplomas sem aplicação.

 

        Porém, um dia o guerreiro

        Baixa suas armas sem lutar.

        Eis que surge um problema

        Maior do que pode enfrentar.

        E ele pensa por um instante,

        No que fez até hoje, e antes,

        E decide que é hora de parar.

 

Todo homem tem sua meta,

Espera crescer e multiplicar.

Mas, por vezes, fica doente

E sem forças para trabalhar.

A vida é quase sempre dura,

Tem que vestir a armadura

Para esse mundo enfrentar.

 

        Biu Duarte era bem calejado,

        Acostumado com a dura lida.

        Pouca coisa lhe desanimava,

        De nada desistia nessa vida.

        O verdadeiro homem é assim,

        Não se deixa levar por “pantin”,

        Tendo a cabeça bem decidida.

 

Uma doença diagnosticada,

Não teve cura, infelizmente.

Deixando Seu Biu pensativo,

Preocupado com a sua gente.

Não havia medo em seu ser,

Antecipou o que ia acontecer

Quando não tivesse presente.

 

         Seu Biu Duarte fez história,

Trabalhando por este chão.

Queimadas inteira conhece

A sua relevante cooperação.

Foi um esforço de verdade,

Contribuindo com a cidade

Em sua vasta transformação.

 

Onde seus maiores legados

Repassados como herança,

Consistem na fé, no trabalho,

Na honestidade e confiança.

Possuindo essas qualidades,

Que são virtudes, na verdade,

Sempre irá restar esperança.

 

        Os últimos dias de Biu Duarte

        Não foram tristes, só pensava.

        Não se entregou ou se fechou,

        Era consciente no que falava.

        A doença não abalou a sua fé,

        O que ele dizia pra sua mulher

        Eram palavras que a consolava.

 

"Seus filhos vão cuidar de você,

Você consegue viver sem mim.

Ninguém pode viver sem Deus,

Aí seria um sofrimento sem fim."

O gesto profundo, sem lamento,

Este foi seu último pensamento,

Suas palavras ecoaram assim.

 

        Até que, no dia 03/11/2016

        Biu Duarte partiu dessa vida.

        Diante da tristeza e comoção

        De toda a sua família querida.

        Foi para longe dos entes seus,

        Para sempre morar com Deus.

        Restou saudades na despedida. 



  

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