QUEIMADAS, JANEIRO/2026
Que
venha a inspiração
Pra
narrar com fino trato
A
história de um homem
Que
merece bom relato.
O
enredo deste folheto
Terá
muito valor e êxito
Ao
falar de João Basto.
João Ferreira Dantas,
Assim ele foi registrado.
Nasceu em julho de 41
Lá do século passado.
João Basto, já crescido,
Assim ficou conhecido,
Por todos era chamado.
Cresceu no sitio Lutador,
Município de Queimadas.
Um homem predestinado
A vencer sua caminhada.
E assim, aquele menino,
Seguiu com fé seu destino,
Encarando longa estrada.
Um
queimadense nato,
Honesto
e trabalhador,
Que
dedicou toda vida
À
sua família, com amor.
Batalhou
a vida inteira,
E
nunca foi brincadeira
As lutas que ele travou.
Dois nomes importantes
Entre referências tantas:
Maria Pereira da Silva
E José Ferreira Dantas.
Foram seus progenitores,
Ambos eram agricultores,
Viviam da terra, de plantas.
Sua mãe fora costureira,
Tinha posses sua família.
O pai, humilde agricultor,
Sequer tinha para mobília.
Mesmo assim, se casaram,
Pois logo se apaixonaram
E seguiram a mesma trilha.
Aos 9 anos de idade uma perda
Que marcou significativamente
O seu jeito de encarar o mundo:
O falecimento tão precocemente
De Dona Maria, a sua genitora.
Deixando-o triste, sem protetora,
Não superando tão facilmente.
Porém, uma força
gigantesca
E enorme vontade de
vencer,
Determinou o menino
João
Que não se deixava
abater.
O tempo passou,
ficou maior,
Viver na cidade
achou melhor,
Embora não pudesse
esquecer.
Seu pai casou-se novamente,
Teve quatro filhos dessa união.
Oito do primeiro casamento,
Concebia filhos de montão.
Estão vivos três
do primeiro
E todos quatro do derradeiro;
João Basto teve muito irmão.
João casou com Lidinalva
E teve quatro “jóias raras”,
Suas filhas, seus tesouros,
Suas aquisições mais caras.
Veio a primogênita Marília
Depois as outras três filhas,
Teresinha, Silvana e Jussara.
Era grande o seu orgulho
Ver suas filhas formadas.
Pensava assim, no futuro,
Vê-las bem encaminhadas.
Lidinalva também estudou,
Fez faculdade, se destacou
Professora em Queimadas.
Um homem muito simples,
João Basto não tinha vaidade,
Nasceu e viveu para a lida,
Fosse no campo, na cidade.
Visionário, enxergava além,
Pois soube como ninguém
Aproveitar oportunidades.
Ao vender alguns novilhos
Que tinha no sítio Lutador,
Onde criava e fazia roçados,
Dedicando-se com fervor,
Houve quem o criticasse,
Também o desacreditasse
Na sua escolha sem valor.
“Como tu faz um negócio
Desse jeito, sem
pensar?!
Se mudar para a
cidade,
Um terreno ruim
comprar...”
De pronto ele
respondeu:
“Queimadas muito
cresceu,
Vai desenvolver sem
parar.”
“Farei ali um loteamento,
Vou ganhar muito dinheiro.”
Isso foi no ano de 1976,
Nessa visão, foi o primeiro.
Foram certos seus planos,
E hoje, depois de 50 anos,
Tudo valorizou por inteiro.
Era necessário ser ousado
Pra tomar tamanha decisão,
Trocar o certo pelo duvidoso,
Trilhando uma nova direção.
Com a cidade em crescimento
Apostar no desenvolvimento,
Essa era a certeza de João.
Desde cedo o município
Anunciava tal crescimento,
E João Basto, muito esperto,
Criou novos loteamentos.
Da Pedra do Sino à Vila,
Adquiriu terrenos em fila,
Dentro do seu orçamento.
Com pouca escolaridade,
Porém, tinha inteligência,
Onde de fato a perspicácia,
A ousadia e a competência
Eram intrínsecas do seu ser.
Alguém que sabia aprender,
Somando vasta experiência.
De criança até a juventude,
João trabalhou em roçado.
Por não haver outra opção,
Deixara os estudos de lado.
Problema de coluna adquiriu,
Sequelas do trabalho
infantil
Que o deixavam incapacitado.
Eram crises que surgiam
Em épocas
determinadas,
Impossibilitando-o
de ter
Uma mobilidade
adequada.
Mas um bom
medicamento
Indicado para o
momento
Combatia a dor causada.
Após o falecimento do pai,
Passou a vender miudezas.
Artigos de higiene pessoal,
Perfumaria, ou pra limpeza...
Como mascates de outrora,
Que viajavam estrada afora,
Sempre levando gentileza.
Vendendo de porta em porta,
Tinham certo a sua clientela.
Quase nunca vendiam à vista,
Tudo era vendido em parcela.
Transportavam em animais
As mercadorias e tudo mais,
Tal João Basto um dia fizera.
Os rendimentos das vendas,
Investia comprando animais,
Que eram criados nas terras,
Herança deixada por seus pais.
Também arrendava cercados,
Currais de gado “alugados”,
E tinha outros ganhos mais.
Investiu ainda nessa época
Numa mercearia, sem temor,
Na localidade onde nasceu,
O bom e velho sítio Lutador.
Não demorou e mais tarde
Resolveu mudar pra cidade,
Onde seguiu empreendedor.
Sucessivas terras comprou
Com a finalidade de lotear.
Seguia-se a década de 1970,
Queimadas se via despontar.
Nessa época adquiriu o local
Onde fica o Hospital Regional,
Hoje um bom lugar pra morar.
Antes de lotear esse
espaço,
Área nobre de
Queimadas,
João Basto ainda
promoveu
Algumas tantas
vaquejadas.
Plantou também seus
roçados,
Talvez até mexesse
com gado...
O homem não parava
pra nada.
Inclusive, saía muito cedo,
Às vezes, sem tomar café.
Voltava em casa só à noite,
Apesar da queixa da mulher.
Trabalhava com foco e atitude
Comprometendo a sua saúde,
Por vezes, o tirando de pé.
João Basto nasceu pra labuta,
Não temia o trabalho braçal.
Sabia colocar a mão na massa,
Preguiça pra ele era anormal.
Foi comerciante e agricultor,
Tratorista e até construtor;
Era um homem fenomenal.
Entre as décadas de 70 e 80,
Três ônibus João adquiriu.
A linha Lutador/Queimadas
Durante algum tempo existiu.
Depois, vendeu-os à Condor,
Ou foi dela que os comprou?
Seja como for, assim fluiu.
Lá na Barra de João Leite,
Durante a década de 1980,
Ele morou por alguns meses,
Onde comprara uma fazenda.
De lá, se fixou em Queimadas
Com uma mercearia abastada,
Negócio esse que se sustenta.
Entre coisas que mais detestava,
Os modismos e extravagâncias.
Podia ser um
pouco antiquado,
Mas isso não
tinha importância.
Para ele, só na honra
se acredita,
Quem não cumpria
a palavra dita
Não era digno de
sua confiança.
Gostava de assistir a noticiário,
Era antenado no que acontecia.
Decidiu entrar na política local
Sem imaginar que se prejudicaria
Com as artimanhas do opositor.
Duas vezes
candidato a vereador,
Viu que aquilo não
lhe renderia.
João Ferreira Dantas faleceu
Em 20 de novembro de 2009,
Vítima de um câncer maligno
Quando até a morte se comove.
E assim, o guerreiro descansou,
Deixando a saudade que ficou,
Algo que nem o tempo resolve.
Virou, inclusive, nome de rua
Numa homenagem especial.
É a Rua João Ferreira Dantas,
Queimadas, logradouro atual.
No loteamento Novo Horizonte,
É só pedir que alguém aponte
E mostre assim, o exato local.
Por essas e outras histórias
João Basto aqui é lembrado,
Trazendo às novas gerações
Fatos que ficaram no passado.
Parte da Vila, e até o Ernestão,
Iniciaram-se de um lote então
Que João já havia começado.
À família, parentes e amigos,
Fica esta singela mensagem
A João Basto, cuja história,
Queimadas faz homenagem.
Um homem sábio, de visão,
Que fez da vida uma missão
Com entusiasmo e coragem.




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