quarta-feira, 15 de abril de 2026

JOÃO BASTO, UM QUEIMADENSE VISIONÁRIO - Biografia em Cordel



QUEIMADAS, JANEIRO/2026


Que venha a inspiração

Pra narrar com fino trato

A história de um homem

Que merece bom relato.

O enredo deste folheto

Terá muito valor e êxito

Ao falar de João Basto.

 

João Ferreira Dantas,

Assim ele foi registrado.

Nasceu em julho de 41

Lá do século passado.

João Basto, já crescido,

Assim ficou conhecido,

Por todos era chamado.

 

Cresceu no sitio Lutador,

Município de Queimadas.

Um homem predestinado

A vencer sua caminhada.

E assim, aquele menino,

Seguiu com fé seu destino,

Encarando longa estrada.


         Um queimadense nato,

         Honesto e trabalhador,

         Que dedicou toda vida

         À sua família, com amor.

         Batalhou a vida inteira,

         E nunca foi brincadeira

         As lutas que ele travou.

 

Dois nomes importantes

Entre referências tantas:

Maria Pereira da Silva

E José Ferreira Dantas.

Foram seus progenitores,

Ambos eram agricultores,

Viviam da terra, de plantas.

 

         Sua mãe fora costureira,

         Tinha posses sua família.

         O pai, humilde agricultor,

         Sequer tinha para mobília.

         Mesmo assim, se casaram,

         Pois logo se apaixonaram

         E seguiram a mesma trilha.


Aos 9 anos de idade uma perda

Que marcou significativamente

O seu jeito de encarar o mundo:

O falecimento tão precocemente

De Dona Maria, a sua genitora.

Deixando-o triste, sem protetora,

Não superando tão facilmente.

 

Porém, uma força gigantesca

E enorme vontade de vencer,

Determinou o menino João

Que não se deixava abater.

O tempo passou, ficou maior,

Viver na cidade achou melhor,

Embora não pudesse esquecer.

 

Seu pai casou-se novamente,

Teve quatro filhos dessa união.

Oito do primeiro casamento,

Concebia filhos de montão.

Estão vivos três do primeiro

E todos quatro do derradeiro;

João Basto teve muito irmão.


         João casou com Lidinalva

         E teve quatro “jóias raras”,

         Suas filhas, seus tesouros,

         Suas aquisições mais caras.

         Veio a primogênita Marília

         Depois as outras três filhas,

         Teresinha, Silvana e Jussara.

 

Era grande o seu orgulho

Ver suas filhas formadas.

Pensava assim, no futuro,

Vê-las bem encaminhadas.

Lidinalva também estudou,

Fez faculdade, se destacou

Professora em Queimadas.

 

         Um homem muito simples,

         João Basto não tinha vaidade,

         Nasceu e viveu para a lida,

         Fosse no campo, na cidade.

         Visionário, enxergava além,

         Pois soube como ninguém

         Aproveitar oportunidades.


Ao vender alguns novilhos

Que tinha no sítio Lutador,

Onde criava e fazia roçados,

Dedicando-se com fervor,

Houve quem o criticasse,

Também o desacreditasse

Na sua escolha sem valor.

 

“Como tu faz um negócio

Desse jeito, sem pensar?!

Se mudar para a cidade,

Um terreno ruim comprar...”

De pronto ele respondeu:

“Queimadas muito cresceu,

Vai desenvolver sem parar.”

 

“Farei ali um loteamento,

Vou ganhar muito dinheiro.”

Isso foi no ano de 1976,

Nessa visão, foi o primeiro.

Foram certos seus planos,

E hoje, depois de 50 anos,

Tudo valorizou por inteiro.


         Era necessário ser ousado

         Pra tomar tamanha decisão,

         Trocar o certo pelo duvidoso,

         Trilhando uma nova direção.

         Com a cidade em crescimento

         Apostar no desenvolvimento,

         Essa era a certeza de João.

 

Desde cedo o município

Anunciava tal crescimento,

E João Basto, muito esperto,

Criou novos loteamentos.

Da Pedra do Sino à Vila,

Adquiriu terrenos em fila,

Dentro do seu orçamento.

 

         Com pouca escolaridade,

         Porém, tinha inteligência,

         Onde de fato a perspicácia,

         A ousadia e a competência

         Eram intrínsecas do seu ser.

         Alguém que sabia aprender,

         Somando vasta experiência.


De criança até a juventude,

João trabalhou em roçado.

Por não haver outra opção,

Deixara os estudos de lado.

Problema de coluna adquiriu,

Sequelas do trabalho infantil

Que o deixavam incapacitado.

 

Eram crises que surgiam

Em épocas determinadas,

Impossibilitando-o de ter

Uma mobilidade adequada.

Mas um bom medicamento

Indicado para o momento

Combatia a dor causada.

 

Após o falecimento do pai,

Passou a vender miudezas.

Artigos de higiene pessoal,

Perfumaria, ou pra limpeza...

Como mascates de outrora,

Que viajavam estrada afora,

Sempre levando gentileza.


         Vendendo de porta em porta,

         Tinham certo a sua clientela.

         Quase nunca vendiam à vista,

         Tudo era vendido em parcela.

         Transportavam em animais

         As mercadorias e tudo mais,

         Tal João Basto um dia fizera.

 

Os rendimentos das vendas,

Investia comprando animais,

Que eram criados nas terras,

Herança deixada por seus pais.

Também arrendava cercados,

Currais de gado “alugados”,

E tinha outros ganhos mais.

 

         Investiu ainda nessa época

         Numa mercearia, sem temor,

         Na localidade onde nasceu,

         O bom e velho sítio Lutador.

         Não demorou e mais tarde

         Resolveu mudar pra cidade,

         Onde seguiu empreendedor.


Sucessivas terras comprou

Com a finalidade de lotear.

Seguia-se a década de 1970,

Queimadas se via despontar.

Nessa época adquiriu o local

Onde fica o Hospital Regional,

Hoje um bom lugar pra morar.

 

Antes de lotear esse espaço,

Área nobre de Queimadas,

João Basto ainda promoveu

Algumas tantas vaquejadas.

Plantou também seus roçados,

Talvez até mexesse com gado...

O homem não parava pra nada.

 

Inclusive, saía muito cedo,

Às vezes, sem tomar café.

Voltava em casa só à noite,

Apesar da queixa da mulher.

Trabalhava com foco e atitude

Comprometendo a sua saúde,

Por vezes, o tirando de pé.


         João Basto nasceu pra labuta,

         Não temia o trabalho braçal.

         Sabia colocar a mão na massa,

         Preguiça pra ele era anormal.

         Foi comerciante e agricultor,

         Tratorista e até construtor;

         Era um homem fenomenal.


Entre as décadas de 70 e 80,

Três ônibus João adquiriu.

A linha Lutador/Queimadas

Durante algum tempo existiu.

Depois, vendeu-os à Condor,

Ou foi dela que os comprou?

Seja como for, assim fluiu.

 

         Lá na Barra de João Leite,

         Durante a década de 1980,

         Ele morou por alguns meses,

         Onde comprara uma fazenda.

         De lá, se fixou em Queimadas

         Com uma mercearia abastada,

         Negócio esse que se sustenta.


Entre coisas que mais detestava,

Os modismos e extravagâncias.

Podia ser um pouco antiquado,

Mas isso não tinha importância.

Para ele, só na honra se acredita,

Quem não cumpria a palavra dita

Não era digno de sua confiança.

 

Gostava de assistir a noticiário,

Era antenado no que acontecia.

Decidiu entrar na política local

Sem imaginar que se prejudicaria

Com as artimanhas do opositor.

Duas vezes candidato a vereador,

Viu que aquilo não lhe renderia.

 

João Ferreira Dantas faleceu

Em 20 de novembro de 2009,

Vítima de um câncer maligno

Quando até a morte se comove.

E assim, o guerreiro descansou,

Deixando a saudade que ficou,

Algo que nem o tempo resolve.


         Virou, inclusive, nome de rua

         Numa homenagem especial.

         É a Rua João Ferreira Dantas,

         Queimadas, logradouro atual.

         No loteamento Novo Horizonte,

         É só pedir que alguém aponte

         E mostre assim, o exato local.

 

Por essas e outras histórias

João Basto aqui é lembrado,

Trazendo às novas gerações

Fatos que ficaram no passado.

Parte da Vila, e até o Ernestão,

Iniciaram-se de um lote então

Que João já havia começado.

 

         À família, parentes e amigos,

         Fica esta singela mensagem

         A João Basto, cuja história,

         Queimadas faz homenagem.

         Um homem sábio, de visão,

         Que fez da vida uma missão

         Com entusiasmo e coragem.




Nenhum comentário:

Postar um comentário