quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

AS DOZE MAIORES MÚSICAS NACIONAIS

     Saiba um pouco mais sobre a história da música popular brasileira, conhecendo as doze composições eleitas como as maiores e mais importantes do país, de todos os tempos. Confira!

1 - Construção/ Chico Buarque

     Em 1971, Chico criticou indiretamente o sistema, através da música "Construção", que narra a vida e a morte de um operário da construção civil. Sem medida ideal pra sobreviver às condições precárias de trabalho, o sistema leva a culpa por ações do governo que levavam a este fim.

Letra:

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.

2 - Águas de Março/ Elis Regina e Tom Jobim

       A música mais conhecida na voz de Elis, foi lançada primeiramente por Tom Jobim no compacto intitulado "Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco". Em 1972, Elis regravou no álbum "Elis".
       Em outras ocasiões, "Águas de Março" já foi considerada a canção mais importante de todas, no Brasil. E internacionalmente, como uma das dez músicas mais bonitas do século.
     A música, em todo o seu contexto ecológico e do verdadeiro cenário brasileiro, trata do mês de março, quando termina-se o verão, de chuvas fortes e ventanias.
       Aqui, a água é utilizada como fonte de renascimento, uma "promessa de vida". 

Letra:

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, o nó da madeira
Caingá candeia, é o Matita-Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto do toco, é um pouco sozinho
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho
Resto de toco, pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho
Resto de toco, pouco sozinho
Pedra, caminho
Pouco sozinho
Pedra, caminho
Pouco sozinho
Pedra, caminho
É o toco...

3 - Carinhoso/ Pixinguinha

       Mesmo tendo sido composta há mais de 100 anos, ainda é a melodia mais famosa da música popular brasileira.
  Composta por Pixinguinha aos 18 anos de idade e posteriormente, recebendo a letra de João de Barro, permaneceu escondida durante alguns anos, por medo do autor de ser considerada muito americanizada.
       Entre milhares de regravações e releituras, ela ocupa um lugar dentro de todos nós.

Letra:

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.
Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.

Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.

4 - Asa Branca/ Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira

       Escrita há mais de 60 anos, e com uma letra absolutamente atual, encontra-se ainda hoje no cenário do sertanejo brasileiro, retratando a vida dura e a seca do sertão.
       Logo, a "asa-branca", pássaro típico da região da caatinga, representando a paz e a saudade, atua com o papel de quem bate as asas em busca de uma vida melhor.

Letra:

Quando olhei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de "prantação"
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão.

"Inté" mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração.

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão.

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na "prantação"
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração.

5 - Mas Que Nada/ Jorge Ben Jor

       Escrita em 1963, ainda soa quente em nossos ouvidos.
       Em 2006, a música foi regravada pela banda Black Eyed Peas e Sergio Mendes.
       Recheada de samba com rock, jazz, pop, funk e maracatu, traz a "poesia pura e simples do brasileiro autêntico."


Letra:

Hu há, há, há, há, hi
Oooô lariá laiô obá obá obá
Oooô ooô ooô lariá laiô obá obá obá

Mas que nada
Sai da minha frente eu quero passar
O samba está animado
Que eu quero é sambar
E esse samba que é misto de maracatu
É samba de preto velho
Samba de preto tu
Mas que nada
Um samba como esse tão legal
Você não vai querer que eu chegue no final
Oooo lariá laiô hobá hobá hobá
Oooo ooô lariá laiô hobá hobá hobá

6 - Chega de Saudade/ João Gilberto/Vinícius de Moraes/Tom Jobim

       Ela é considerada o marco zero da bossa nova, cheia de suingue e ritmo. O violão ao fundo dá vontade de nunca mais parar de ouvir...

Letra:

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim.

- Aquarela do BrasilAry Barroso


Uma das mais populares canções brasileiras de todos os tempos, escrita pelo compositor mineiro Ary Barroso em 1939. O samba foi gravado a primeira vez por seu parceiro Francisco Alves, e depois por diversos artistas que vão de Carmen Miranda a Frank Sinatra, passando por João Gilberto, Caetano Veloso, Gal Costa, Erasmo Carlos e Elis Regina.
Antes de ser gravada, "Aquarela do Brasil" inicialmente foi chamada de "Aquarela Brasileira".

Letra:

Brasil, meu Brasil Brasileiro,
Meu mulato inzoneiro,
         Vou cantar-te nos meus versos:
        
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar;
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!... Brasil!... Prá mim!... Prá mim!...

Ô, abre a cortina do passado;
Tira a mãe preta do cerrado;
Bota o rei congo no congado.
Brasil!... Brasil!...

Deixa cantar de novo o trovador
À merencória à luz da lua
Toda canção do meu amor.
Quero ver essa Dona caminhando
Pelos salões, arrastando
O seu vestido rendado.
Brasil!... Brasil! Prá mim ... Prá mim!...

Brasil, terra boa e gostosa
Da moreninha sestrosa
De olhar indiferente.

O Brasil, verde que dá
Para o mundo admirar.
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!... Brasil! Prá mim ... Prá mim!...

Esse coqueiro que dá coco,
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar.
Ô! Estas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar.

Ô! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro,
Terra de samba e pandeiro.

8 - Gita/ Raul Seixas/ Paulo Coelho

Gravada ao longo do primeiro semestre de 1974, Gita foi inspirada no misticismo que envolvia as vidas de Raul Seixas e Paulo Coelho. O título veio do livro sagrado do Hinduísmo, o Bhagavad Gita.
Uma curiosidade importante sobre essa mística canção, é a de que ela contou com 62 pessoas no estúdio para gravar seus arranjos – com Raul Seixas ao piano, além de uma enorme orquestra que se revezava no estúdio, executando um momento sublime do pop brasileiro: “Gita”. Raul queria algo épico. Ele sabia que seria uma marca deixada na face da história da música. 

Letra:

“Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou.”

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado.

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa,
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar.

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar,
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar.

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação,
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou.

Gita, Gita, Gita, Gita...

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão,
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga,
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada.

Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar,
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água, do ar.

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim,
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador,
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor.

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo,
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo,

Gita, Gita, Gita, Gita...

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão,
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.

Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô.
O filho que ainda não veio,
O início, o fim, e o meio.
O início, o fim, e o meio.

Eu sou o início, o fim e o meio.
         Eu sou o início, o fim e o meio.

9 - Panis et Circencis/ Os Mutantes

       Uma das canções mais importantes da Tropicália, deriva o nome de um uso errôneo de uma expressão latina que Décio Pignatari chamou de "delicioso provincianismo de vanguarda". Seu nome escrito e reescrito de várias formas, perpetua a confusão até hoje.
       Sendo gravada e regravada por várias pessoas, até hoje, foi considerada uma "peça tropicalista bem-acabada, perfeita", por Gilberto Gil.

Letra:

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar. 

10 - Detalhes/ Roberto Carlos

    O "Rei" não poderia ficar de fora dessa.
       De uma maneira brilhante, Roberto e Erasmo conseguiram definir todas as sensações de um amor, desde a alegria, até a vingança.
       Boatos dizem que a musa de "Detalhes" seria Magda Fonseca, ex-namorada de Roberto, que afirma que mesmo sendo um cara tão comum, dele, ela nunca vai esquecer.

Letra:

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver

Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora vão estar presentes
Você vai ver

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas
A culpa é sua

O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido!
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

A noite envolvida no silêncio
Do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você lembrar de mim

Se alguém tocar seu corpo como eu
Não diga nada
Não vá dizer meu nome sem querer
À pessoa errada

Pensando ter amor nesse momento
Desesperada você tenta até o fim
E até nesse momento você vai
Lembrar de mim

Eu sei que esses detalhes vão sumir
Na longa estrada
Do tempo que transforma todo amor
Em quase nada

Mas "quase" também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando você vai
Vai lembrar de mim

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver
Não, não adianta nem tentar
Me esquecer...


11 - Alegria, Alegria/ Caetano Veloso

Alegria, Alegria, foi a música que levou o movimento tropicalista ao público, no famoso III Festival da TV Record, no ano de 1967.
     Segundo Caetano, a apresentação ao lado da banda argentina Beat Boys, com seus cabelos longos, guitarras e cores, era de forma gritante aquilo tudo o que os nacionalistas da MPB mais temiam e detestavam.
       A ideia, era uma "marcha de carnaval transformada", que expunham as referências pop da época.

Letra:

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou
Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...

12 - Canto de Ossanha/ Baden Powell/ Vinicius de Moraes

      - "O canto da mais difícil e mais misteriosa das deusas do candomblé baiano. Aquela que sabe tudo sobre as ervas, sobre a alquimia do amor."

Letra:

Deaaá! Deeerê! Deaaá!
O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...
Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Fonte principal consultada:
https://www.mensagenscomamor.com/10-maiores-musicas-nacionais

3 comentários:

  1. Interessante observar que as canções mais novas aqui são da década de 1970

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  2. Faltou pelo menos, uma música que se destaca no cancioneiro popular brasileiro. Um clássico de Ary Barroso, Aquarela do Brasil.

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  3. Perfeitamente, Marcos. Lendo esse seu comentário, achei por bem acrescentar essa e também outra música que marcou época. Gita, de Raul Seixas. Valeu pela observação!

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