MIGUEL FRANCISCO FLOR, O POPULAR “TI MIGUÉ” -
por Paulo Seixas
No próximo dia 10 de julho de 2026, se ainda estivesse
vivo, Miguel Francisco Flor, ou melhor, “Ti Migué” estaria completando 116 anos
de idade. Este perfil biográfico é justamente para lembrar a pessoa honrosa que
ele representou para toda a sociedade queimadense. Miguel Chico, ou
simplesmente, “Ti Migué”, foi um homem honrado.
MIGUEL FRANCISCO FLOR - O POPULAR “TI MIGUÉ”
QUEIMADAS/PB.
Por Paulo Seixas
- Inicialmente, viveu com seus pais na rua Francisco Ernesto do Rêgo, a Rua Nova. Depois de casado, alguns anos mais tarde, já na década de 1950, mudou-se para a rua Eunice Ribeiro, onde viveu até o final de sua vida;
- Era filho dos saudosos José Francisco Flor e Lucinda Maria da Conceição. Pessoas simples que, apesar de viverem na cidade, levavam a vida como camponeses;
- Não há nenhuma informação sobre a
infância e juventude de Seu Miguel Chico. E nem tampouco sobre a sua
escolaridade, seu grau de estudo. Porém, acredita-se que ele só tenha sido
alfabetizado e trabalhado na roça durante toda a juventude, durante o tempo em
que conviveu em casa, com seus pais e toda a família;
- Nascido em uma família de muitos irmãos,
dez no total, alguns deles ficaram bem conhecidos na
cidade por viverem do comércio, como: Antônio Chico, João Chico, Vital Francisco,
Vicente Chico (este último consertava calçados);
- Nasceram e se criaram na Rua Nova. Precisamente, a casinha de taipa onde
cresceram, ficava logo na entrada de uma rua que dava acesso à subida da Pedra
do Bico, rua essa que existia até um tempo atrás;
- Viviam da agricultura, do plantio de algodão, mas alguns deles logo
despontaram para o comércio. Destacando aqui que eles estiveram entre os
primeiros comerciantes do município de Queimadas, onde as pessoas, até mesmo da
zona rural, vinham realizar as compras da semana em seus estabelecimentos;
- Em 1950, Seu Miguel comprou um terreno na Rua Eunice Ribeiro, nº 423, o
qual vai até o outro lado da rua César Ribeiro (Calçadão Tataguaçu), e
construiu sua casa com a mercearia na frente. Há um tempo atrás, após seu
falecimento, a casa passou por uma grande reforma, onde Dona Mariquinha, sua
segunda esposa, continua morando com a filha caçula;
- Miguel Chico casou inicialmente
por volta dos 23 anos, ainda na década de 1930, com Josefa Ferreira Dantas. Desse
casamento nasceram os seguintes filhos: José Ferreira Dantas, Maria de Lourdes
Dantas, Maria da Guia Dantas, José Maria Dantas, José Nilson Dantas e Maria
José Dantas. Quatro deles professores, hoje
aposentados. E dois deles comerciantes;
- No ano de 1970 sua primeira esposa
faleceu e Ti Migué, em 1976, já com 66 anos, casou
novamente com Maria Severina Gomes, mais conhecida por todos como Dona
Mariquinha. Desse segundo casamento nasceram os seguintes filhos: Maria Roseane
Gomes Flor, Maria Roselita Gomes Flor, Maria Rosilene Gomes Flor e Maria
Rosinete Gomes Flor. Tiveram ao todo seis filhos,
porém, duas dessas crianças faleceram;
- Trabalhou durante muitos anos na
agricultura. Paralelamente a isso, possuía um comercio varejista de gêneros
alimentícios, em sua residência, situada à rua Eunice Ribeiro. Uma “bodega” das
antigas, a qual ele segurou até o fim de sua vida;
- Além do comércio, ele tinha um
roçado no Sítio Capim de Planta, o qual era seu refúgio particular, um lugar aonde
ele gostava de ir, sentindo-se bem. Plantava milho, feijão, fava, jerimum,
melancia, quiabo, maxixe... Sempre ia na sua bicicleta, de acordo com sua
família, até por volta dos seus 82 anos de idade;
-
Porém, sua maior preocupação era com o futuro de seus filhos, em especial, o
futuro profissional de cada um. E essa preocupação se tornou ainda maior com a
chegada das filhas do seu segundo casamento, uma vez que ele já caminhava para
a terceira idade e queria o melhor para todas elas. E assim, seguindo os passos
da mãe, que foi professora do ensino fundamental pela prefeitura e pelo Estado,
todas quatro se formaram professoras, com diferentes licenciaturas, atuando em
seus ofícios até os dias de hoje. Ti Migué certamente morreu realizado nesse
ponto;
- Ti Migué era um homem tradicional, das
antigas mesmo, e soube criar as suas “filhas mulher” com a mesma educação rígida
do passado. Até onde se sabe, detestava modismos e extravagâncias. No que
dependesse de sua vontade, ele queria ver todas apenas entre a igreja e a
escola. Sem frequentar bailes, passeios noturnos, e até a televisão ele demorou
algum tempo para ceder;
- Miguel Francisco Flor, mais conhecido por “Ti Migué” ou mesmo Miguel
Chico, faleceu no dia 24 de agosto de 1998, acometido por problemas cardíacos. E,
como foi dito no início deste perfil, se
ainda estivesse vivo, estaria
completando 116 anos de idade no próximo dia 10 de julho de 2026;
- A rua Miguel Francisco Flor, que fica no bairro do Castanho, foi uma
homenagem da cidade ao popular Ti Migué. O nome para essa rua foi sancionado no
dia 14/03/2012 pelo então prefeito José Carlos de Souza Rêgo, Carlinhos de
Tião, a partir do projeto de lei número 310/2012;
ABRINDO ESPAÇO PARA O APRESENTADOR DESTE
PERFIL:
- Dentre as lembranças que guardo de Ti
Migué, lembro que ele era um senhor muito simpático, vivia sempre com um
sorriso no canto da boca. Vez ou outra, ele comprava alguma coisa no comércio
de meu pai para revender. Geralmente, uma saca de feijão ou de açúcar, e eu
prontamente ia entregar num carrinho de mão. Ele sempre me dava uma gorjeta,
embora eu procurasse recusar. Falo aqui das décadas de 1985 a 1995,
aproximadamente;
E,
finalmente, para justificar a apresentação deste perfil biográfico...
- Eu, Paulo Seixas, em nome do nosso Instituto Histórico e Geográfico de Queimadas (IHGQ), alegro-me ao prestar, através deste perfil,
esta honrada e merecida homenagem ao grande homem que foi Miguel Francisco Flor, mais conhecido por Miguel Chico ou Ti Migué, um grande exemplo de cidadão queimadense.
|
Fontes de pesquisa e fotografias: A maior parte do material aqui
apresentado foi extraído do livro do professor Antônio Carlos, referente às
ruas de Queimadas, com informações precisas fornecidas por Dona Mariquinha
acerca do perfil
biográfico de seu falecido
esposo. As únicas fotografias aqui apresentadas, uma foi retirada do Blog
Tataguaçú do prof. Ezequiel Lopes. A outra, foi gentilmente cedida pelo
professor Antônio Carlos. |



Nenhum comentário:
Postar um comentário