segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MINHAS MEMÓRIAS - CAP. 7

PARTE
III

IDOLATRIAS DE UM FÃ EXAGERADO, 
MINHAS LISTAS EXCLUSIVAS E 
AS ÚLTIMAS BRINCADEIRAS



CAPÍTULO 7

TUDO POR RAUL - MEU 1° DISCO 
E TUDO O QUE JÁ FIZ ATÉ ENTÃO EM 
NOME DE RAUL SEIXAS

        O meu primeiro contato direto com a arte de Raul Santos Seixas deu-se a partir de 1991. E para ser mais exato, foi no final deste referido ano, quando então chegara em Queimadas um parquinho de diversões, o qual se instalou por detrás da igreja matriz.
        Coincidentemente (ou não, como diria o próprio Caetano Veloso), sempre que aparecia por lá, eu ouvia tocar um determinado disco de vinil todo arranhado do Raul. E eu já me amarrava em músicas como Gita, Eu nasci há dez mil anos atrás... embora não soubesse ao certo quem era que as interpretava. 

Meu primeiro vinil de Raul Seixas
         Adiantado para variar, na época eu negociei esse disco no valor de um novo com o Seu Fernando, proprietário do parque. Lembro-me até que fui com a companhia de Ironildo. No dia seguinte, quando lá retornei para “balançar-me de canoa”, o coroa já havia substituído o disco velho por um novinho em folha, justificando aquele ditado: “quem tem besta não compra cavalo”. E foi então, a partir desta data, 25/11/91, que eu tornei-me esse fã póstumo, porém fervoroso e incondicional da arte de Raulzito, procurando conhecer a fundo toda sua obra e os detalhes mais indispensáveis possíveis.

O próprio, em fotografia autografada
            E como eu não poderia jamais esquecer, quero lembrar aqui os meus amigos Eduardo (que se encontra hoje no Rio) e Sandrinho, os verdadeiros precursores (dentro de nossa faixa etária) do mito Raul Seixas em toda Queimadas. Os únicos camaradas que numa época tão distante (1989/1990) mostraram-me em primeira mão um Raul que eu ainda não conhecia e, infelizmente, cheguei até a ignorar. Também pudera, vendo e ouvindo-lhes curtir aquele som tão diferente, a princípio até estranho para mim, algumas músicas que eu só viria a conhecer bem mais tarde, há de se convir que fosse natural uma rejeição logo de cara (ainda mais para um sujeito como eu, que nunca se ligou muito em música). Inclusive, lembro-me que cheguei a dizer-lhes algo que nunca esqueci, uma frase do tipo:                                                             

           - Como é que alguém pode gostar de ouvir as músicas de um cara que já morreu?  Que mau gosto..
       Hoje em dia sou eu quem ouço muita gente dizendo a mesma coisa. Chega a ser até irônico. É simplesmente a ignorância daquilo que se ignora. A propósito, um artista como Elvis Presley, o qual era  ídolo máximo de Raul, continua vendendo dezenas de milhares de discos e sendo lembrado em todo o mundo, mesmo após a sua morte, em agosto de 1977. Como às vezes costumo dizer, em alto e bom som, ídolo bom é ídolo morto, que não nos causa mais decepções. Outros fãs certamente haverão de concordar comigo.

Um desacata à comunidade evangélica
           Em 1989 (ano em que Raul faleceu) parei de estudar, uma decisão irresponsável da minha parte e da qual eu me arrependi amargamente algum tempo depois. Durante essa época, após a conclusão desse antigo primeiro grau, ainda passei uma temporada de duas semanas num conceituado colégio de Campina Grande, apenas por insistência do meu pai, mas em seguida desistindo de tudo. Acabei voltando às aulas em 1995, para então fazer um supletivo de segundo grau, instrução esta com a qual permaneci até passar no vestibular que fiz para Comunicação Social, no ano passado.                         
 Durante os anos em que estudei no colégio do saudoso professor José Miranda (1978 a 1988) eu não fazia ideia de quem era, na verdade, Raul Seixas. E também não me recordo até hoje absolutamente de nada a respeito de sua morte, em agosto de 1989, não tendo, portanto, nenhuma lembrança dessa época (e nem poderia). Algo que só vim ficar mesmo por dentro dois anos depois, através de fotografias e imagens do fato ocorrido.

Destaque da caricatura anterior
      Eu precisei, necessariamente, “entrar no buraco do rato para com o rato poder transar”, como diria o próprio Raul. E o ponto de partida para conhecer a fundo toda sua biografia, bem como poder entrar em sua vasta e importantíssima obra musical foi definitivamente aquele velho 1º disco, Os Grandes Sucessos de Raul Seixas (que deixei em posse do meu querido amigo Marciano, uns 10 anos atrás, pois já não suportava guardar tanta velharia). 
Aquela “bolacha” foi realmente o começo de tudo, uma “separação de águas”, eu diria assim. Um marco na minha vida e que me transformou no que sou hoje, mais um de tantos “malucos beleza” espalhados por esse Brasil afora, e até no exterior. Neste ano de 2009 completar-se-ão, da minha parte, 18 anos de culto à memória do Raul.                       

Esta é pra intimidar o Guarda...

Continua...

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