sexta-feira, 9 de junho de 2017

MEU 3º CORDEL: QUEIMADAS, MINHA CIDADE MARAVILHOSA! (A ESCULHAMBAÇÃO FINAL)

NA MAIS SURPREENDENTE DAS IRONIAS,
EU LHES APRESENTO:
QUEIMADAS, MINHA
CIDADE MARAVILHOSA!
(A ESCULHAMBAÇÃO FINAL)

Meu terceiro folheto de cordel da cronologia Queimadas, década de 1990

Durante estes sete anos de publicações em meu Blog, eu sempre me neguei em postar os meus primeiros cordeis, visto que eles contêm um forte conteúdo de críticas, palavrões e baixarias em relação à cidade de Queimadas/PB. Este terceiro cordel da cronologia então, é o pior deles, acreditem, kkkkkk! Era uma época de rebeldia e revolta sem tamanho, onde a criatividade aflorava e, como que numa espécie de vômito, pedia passagem. Passados quase vinte anos, acredito que estes meus "crimes literários" já prescreveram todos, kkkkkk! Portanto, baseado na minha liberdade de expressão e de imprensa (lembrando que tenho o diploma, kkkkk!), tá na hora desse material vir à tona novamente.

FDP³ Produções apresenta mais um sensacional espetáculo de baixarias...

QUEIMADAS, MINHA CIDADE MARAVILHOSA!
Meu terceiro folheto de cordel, de 1998

Um homem suficientemente culto
Sequer pensa em conhecer Queimadas.
O nome em si já parece um insulto
E este “lugarzinho” não vale nada.

Até um padre aqui já mataram
Uma total falta de fé existe,
Entre os males que prosperaram
A covardia é quem mais resiste.
Muitos “demônios” já se enterraram
E, por herança que deixaram,
Um ou outro ainda persiste.

Queimadas, “lixo tóxico” da Paraíba,
Êta cidadezinha nojenta de se morar!
Foi onde perdi parte da minha vida;
O inferno tem a cara deste lugar.

Se maldade fosse uma virtude,
Nisso aqui haveria até campeão.
Um povo mesquinho, sem atitude,
Onde nada se faz por um irmão.

Moro aqui desde os três anos
Mas nunca gostei desta cidade,
Pois aqui residem uns “fulanos”,
Gente muito ruim e covarde.

Neste lugar se um malandro
Comete alguma perversidade,
O “babaca” que fica olhando
É quem vai pra trás das grades.

Mas, afinal, não é todo mundo,
Muito mesmo pelo contrário.
Em meio a tanto vagabundo
Encontra-se ainda muito “otário”.

Sim, o otário. Mas no bom sentido,
Pessoas honestas como eu e você,
Dos quais nunca se tem ouvido
Qualquer vacilo ou mal-entendido
E que venha a nos comprometer.

Esta cidade eu a rejeito
Não só devido certa gente,
E sim, porque não há jeito
Desta “bomba” ir pra frente.

Um município que só não evolui
Por falta de uma boa administração.
Ausência de um governo sério, que atue,
Pois nessa Prefeitura não se inclui
Alguém de competência e decisão.

Não quero ser repetitivo, podem crer,
Mas não me resta outra opção,
Se este lugar tiver de crescer
Será mesmo na base do empurrão.
Pois para uma cidade engrandecer
É necessário um prefeito ter
Coragem, pulso firme e ação.

Como é que eu posso gostar
De alguma forma desta cidade,
Se não há uma praça, um lugar
Que possa servir à comunidade?!

Nesta porcaria de cidade
Um hospital sequer não tem,
Há uma velha maternidade
Que, para o bem da verdade,
Na realidade não serve a ninguém.

Ninguém lê nos jornais uma boa notícia
Queimadas é uma negação, o ano inteiro.
Não tem sequer um batalhão de polícia
Para descer o cacete em maconheiro.

Um clube decente aqui não existe,
Imaginem então um moderno hospital.
Um enfermo, coitado, já vive triste,
De toda maneira passando mal.

Em se tratando de obras eu digo
Que há vários anos nada aqui foi feito.
Para todos isso é mesmo um castigo;
É a pura incompetência dos prefeitos.

Até parece que o dinheiro
Das verbas do município,
Desaparece assim, por inteiro,
Não deixando nenhum vestígio.

E não adianta alguém vir dizer
Que quebrar o que está feito então,
É algo realmente por se fazer
Para se valer por uma gestão.
Eu quero ver grandes obras em via,
Nós que pagamos impostos em dia
Muito mais podemos merecer,
Digo isso pois também sou cidadão.

Falar de mal deste lugar
É para mim motivo de alegria,
Eu quero é poder “vomitar”
Tudo quanto for de baixaria.

Não, não sou nenhum revoltado,
Nenhum louco ou coisa assim.
Só quero deixar aqui registrado
O que este lugar desgraçado
Ainda significa para mim.

Este “chão” fora amaldiçoado
Desde a época que mataram o padre,
E eu torço para que esse legado
Nem no inferno nunca se acabe.
Um “buraco” onde só tem pobre,
Espero que o Diabo um dia cobre
E se aposse de vez desta cidade.

Até as chuvas evitam este lugar
Deus despreza, o Diabo até gosta.
O povo é ignorante e é bom lembrar:
Este lugarzinho é pior que bosta!

Foi aqui, neste lugar mesquinho,
Onde quase perdi minha dignidade.
Considerem como forma de carinho
Chamarem esta merda de cidade.

A ignorância predomina
No povo desta cidade,
Um vírus que contamina
Todo o seio da sociedade.
       
Como posso gostar de um lugar
Que só valoriza o que há de pior,
Onde a música que se ouve tocar
É somente esse maldito forró.
A minha mente já atrofiou, pudera,
Ouvindo a voz nojenta dessas “cadelas”
Ninguém espere resultado melhor.

Esta cidade precisa é de Rock
Ou do Rap esperto de Gabriel,
Um simples contato, um mero toque
Inspirou-me a fazer este cordel.
Abandonem esse forró, ainda há tempo
Não como uma conversão, fiquem atentos;
O Rock não leva ninguém ao céu.

Em qualquer um mapa vagabundo
Vocês certamente irão encontrar,
O Nordeste sendo o “resto” do mundo,
A Paraíba, um “cu” aberto pra cagar.
E Queimadas, por herança que herda,
Não merece sequer ser a “merda”,
Visto que esta se recusa afundar.

Uma cidade que não tem cultura
Não vai além do seu próprio atraso,
Os que se encontram na Prefeitura
São os secretários do descaso.
Aqui não se investe em música, teatro,
Numa simples feira de artesanato,
E em educação, no melhor dos casos.

O atual prefeito bem que prometeu
Por toda a sua campanha afora,
Que investiria mais no ensino
Ampliando e construindo escolas.
Sabemos que algo disso foi feito,
Pelo resto esperamos até agora.

A ignorância aqui é predominante
Sendo necessário investir mais na escola,
Essa rapaziada, tamanhos ignorantes
Só aproveitam o tempo jogando bola.
Tantos que poderiam ser graduados,
Não passarão de simples empregados
Em uma empresa que só explora.    
       
Não sei se acuso ou defendo,
Nem sei de que lado estou, afinal.
Apenas duas coisas aqui condeno:
A mentira e o descaso em geral.

O ano de 1996
Serviu para todos como uma lição,
Não adianta ir de encontro às “elites”
Que dominam o lugar e a situação.
Perdemos a chance e até o respeito,
Não conseguimos eleger o prefeito
Que já tava eleito em nossas mãos.

Homens da política, senhores do poder
Abram os olhos para este recado:
Não deixou de ser obrigação ou dever
O compromisso para com o Estado.
O descaso aflora em evidências
E não sou eu que tomarei providências
Apenas com o meu gesto indignado.

Queimadas está no roteiro
De alguns municípios atingidos,
Não pela falta de dinheiro,
Mas pelo trabalho não cumprido.
Cadê aquele tão prometido hospital?!
É a população doente passando mal,
O pobre pra sempre vive “fudido”.

(Se bem que essa raça pobre
Acostuma-se desde cedo a sofrer.
Ô gentinha feia, ninguém me cobre;
Faço parte e por isso posso dizer.
Admiro um rico por ser esnobe,
Que na sua mesa sempre sobre
As migalhas pro miserável comer.)

Prefiro não fazer indagações
Sobre coisas que eu até desconheço,
Não são más as minhas intenções
Nem também exijo delas um preço.
Não proponho aqui difamações
Nestes versos que ofereço.

As promessas de uma campanha
São palavras que não voltam atrás,
A cada eleição o cidadão apanha
E promete não votar nunca mais.
O voto é um dever da cidadania
Não pode ser trocado por ninharia,
Uma vez que trocando, nada se faz.

Não tenho “telhado de vidro”
Saio na chuva é pra me molhar,
Quem tiver um par de ouvidos
Tape agora se não quiser escutar;
- Adoro esta minha cidade linda
E o meu prazer será maior ainda
Ao vê-la um dia se afundar!

Juntamente com esses hipócritas
Que se dizem os donos do lugar,
Pessoas ridículas, tamanhos idiotas
Que não sabem sequer se perguntar,
Quem são, de onde vem, e o que farão,
São incapazes de encontrar uma solução
Nesta merda em que vivem a pisar.

Já prometi não recorrer
Em outra ocasião, a se saber,
Ao poder da baixaria.
Mas o que posso então fazer
Quando há tanto o que dizer
E criticar o dia-a-dia
De um lugar onde a tristeza
Confunde-se com a natureza
Numa espécie de harmonia?!

Não consigo calar a voz
Tenho que “cuspir” o que sinto,
Pra infelicidade de todos nós
Infelizmente eu não minto.

E este lugar, ele fede demais,
Tudo aqui é podre e nojento,
As ruas, os becos e locais,
O lugar inteiro é fedorento.
A imundície é física e intelectual,
O analfabetismo é uma praga geral,
Só faltam abrir escola pra jumento.

E o forró tem a sua parcela de culpa
Somente ele é que deixa o povo na mão,
Em vez de ficarem ouvindo essas putas
Deveriam ouvir mais o som do Lobão.

Quanto ao meu último folheto
O incentivo foi gratificante,
Alguns nem chegaram a ler direito
E já o rasgaram o quanto antes.
Uns até usaram no banheiro
E após limparem o seu traseiro,
Sentiram o cu menos ignorante.

Enfim, este ainda é o meu lugar
Pode nem ter encantamentos mil,
Mas é o nosso chiqueiro, nosso lar.
E se algum turista um dia perguntar
Pelas maravilhas que aqui não viu,
Não se esqueçam então de avisar
O recado que agora vou passar;
- Vai pra puta que o pariu,
Turista burro, imbecil!
Tanto lugar bonito nesse Brasil
E logo em Queimadas “cê” vem baixar?!

Talvez quem sabe algum dia
Queimadas cresça com a sabedoria,
De alguém com honestidade
Que trabalhe mesmo de verdade,
Que tenha em mente apenas ação
Para governar com decisão,
E fazer deste ignorado lugar
Algo próspero de se orgulhar.


                              QUEIMADAS, ABRIL/1998.


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