terça-feira, 22 de setembro de 2015

REPUBLICAÇÃO DA CRÔNICA (AGORA COM O VÍDEO) SOBRE A PIPOCA KARINTÓ

A IMPORTÂNCIA DA PIPOCA KARINTÓ NA DIETA DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO
                                                                                            
Ela não chega a ser nenhum “manjar dos deuses” ou mesmo uma iguaria gastronômica fina nas versões doce e salgada, embora faça parte de paladares um tanto distintos. Tampouco se enquadra na categoria de uma refeição substancialmente nutritiva, a ponto de saciar as necessidades básicas e protéicas de um indivíduo.
Entretanto, e encarando a realidade dos fatos, ainda é considerada como sendo o lanche mais barato e que se encaixa perfeitamente no bolso da maioria dos alunos, do fundamental ao ensino superior, contribuindo de forma positiva na mesada e no orçamento de todos. Atire a primeira pedra o estudante que disser que, em algum momento de sua vida, não tentou “enganar” a própria fome, devorando uma pipoca KARINTÓ. Todavia, vale ressaltar que, independentemente da questão financeira, isso não significa dizer que somente os menos favorecidos consomem a pipoca, apesar de que essa prática é quase sempre a regra...
Nas Universidades Públicas, em particular (impossível resistir a esse trocadilho) do Estado da Paraíba - e aqui se referindo especificamente aos cursos noturnos -, imaginemos o que seria daqueles alunos que residem nos lugares mais afastados possíveis, se não pudessem contar com aquela já tradicional pipoquinha de R$ 0,50 ou 0,70 (normalmente consumida acompanhada de água torneiral). É um produto, diga-se de passagem, indispensável nas cantinas de todas as Faculdades. Segundo informações seguras, para cada pacotinho de Pippos, por exemplo, são vendidas, em média, vinte pipocas KARINTÓS, uma concorrência bastante desigual.
Ao se atingir aquele horário crítico, para ser mais exato, a partir das 21hs, quando os estômagos de muita gente já começam a dar sinais de alerta, exigindo alguma contribuição alimentícia, nesse momento a presença de certo saquinho de cor amarela na classe é bastante acolhedora. É também um momento em que a educação de todos cede um espaço considerável para a razão, pois qualquer coisa de se comer oferecida nessa hora será aceita sem maior hesitação. Portanto, o ideal é que o aluno procure esconder bem o saquinho, debaixo da carteira, talvez, se quiser garantir a sobrevivência até o final da aula.
A pipoca KARINTÓ, apesar de alguns consumidores afirmarem já haver encontrado em sua embalagem pontas de cigarros, fios de cabelo e até asas de baratas, ainda é vista por muitos como um alimento limpo, higiênico, saudável (giárdia é somente uma lenda atribuída à pipoca, nada mais que isso) e também a melhor pedida desses últimos trinta anos, idade estipulada para o surgimento deste produto no mercado. Tipicamente nordestina - mais precisamente pernambucana - ela conseguiu ultrapassar barreiras, sendo agora também apreciada em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo a alegria de muitos estudantes e pessoas, dos 8 aos 80 anos.
Do ponto de vista cultural, a pipoca já se tornou um “símbolo alimentar” na maioria dos cursos universitários, pelo menos na Paraíba, principalmente para os adeptos de silhuetas mais magras (e agora se referindo apenas e tão somente à questão da estética). E ninguém sabe dizer ao certo o porquê dela ainda não haver se transformado em objeto de estudo para algum TCC, uma vez que o autor poderia, inclusive, inspirar-se para escrevê-lo saboreando uma pipoquinha KARINTÓ bem crocante, pra variar. 


                                     Paulo Seixas, agosto de 2011


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